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Viajando no mundo das cores

Uma estranha Simetria - Audrey Niffenegger

>>  terça-feira, 31 de maio de 2011

NIFFENEGGER, Audrey. Uma estranha simetria. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011. 359p. Título original: Her fearful symmetry.

“Valentina aproximou-se de Robert e pousou a mão no seu braço. Ele a observou por sobre os aros dos óculos.
- Está tudo bem – disse ela. Ele sentiu, sem ser capaz de dizer isso a si mesmo, que algo perdido lhe fora devolvido.
- Obrigado – respondeu. Disse aquilo mansamente, mas com tal intensidade que Valentina se apaixonou por ele, apesar de não saber nomear aquele sentimento nem ter nada que servisse de comparação.”

Audrey Niffenegger ficou mundialmente conhecida pelo sucesso de seu primeiro livro “A mulher do viajante no tempo” que foi adaptado para o cinema em 2009. E é bem comum que o leitor queira ler os demais livros de um autor porque gostou do primeiro ou que relacione o estilo de um livro pelo outro. Neste caso não se enganem, a única coisa em comum entre as duas obras é que ambas quebram todas as barreiras naturais e fogem da realidade. Conheça Uma estranha Simetria de Audrey Niffenegger.

Edie e Elspeth eram gêmeas idênticas e tinham uma grande ligação, talvez própria da condição de gêmeas, mas esta ligação fora quebrada há muito tempo atrás. Ninguém sabia o que aconteceu, as duas nunca mais se falaram. Edie hoje vivia nos EUA com suas duas filhas e Elspeth tinha continuado na Inglaterra. Elas nunca mais se viram, ninguém sabe o porque do mistério.

Julia e Valentina Poole são a segunda geração de gêmeas na família, e ao contrário da mãe e da tia, as duas são inseparáveis, de uma forma até estranha de se observar. As duas fazem tudo juntas, ainda se vestem iguais e dividem todos os momentos, sensações e sonhos. Elas também têm uma situação física muito particular, são gêmeas espelhadas e Valentina tem situs inversus – o coração, o fígado e o rim ficam do lado contrário do corpo.

As gêmeas não sabiam nada sobre a história da mãe, nem sabiam que tinham uma tia, até que Elspeth morre e deixa toda sua herança para elas. Mas o testamento tinha uma exigência bem incomum, para receberem a herança Julia e Valentina teriam que viver por um ano no apartamento da tia em Londres e seus pais jamais poderiam entrar na casa.

E é assim que aos 20 anos as gêmeas vão morar sozinhas, do outro lado do mundo.  O apartamento de Elspeth ficava em Londres e tinha vista para o grande cemitério Highgate, com toda sua tradição e historia. E no prédio as meninas ficam conhecendo dois moradores. Robert era o ex companheiro de sua tia, bem mais novo do que ela e que ainda sofria amargamente sua perda, e Martin era um homem solitário  e portador de TOC.

Enquanto tentam desvendar os mistérios que envolvem a historia da tia Elspeth e sua mãe, elas começam a vivenciar novas experiências e  e pelo menos uma delas começa a questionar suas própria vida. Julia era a menina forte, decidida e cheia de atitude. Ela era que tomava todas as decisões para as gêmeas, enquanto Valentina era tímida, frágil e doente, e seguia os passos da irmã.

Em um cenário perturbador e com todos os defeitos e qualidades do ser humano acompanhe a dor de Robert, a triste doença de Martin, a luta de Valentina por sua libertação e ainda a “nova vida” de Elspeth, que não desistiria tão fácil de sua presença neste mundo, ou no outro.

Nem sei como começar a descrever minhas emoções ao ler este livro, em alguns momentos eu estava embasbaca com a historia, em outros queria fechar o livro e não acreditava no que estava acontecendo. Audrey trabalha nesta obra romance, drama e sobrenatural de uma maneira complexa e sem artifícios. Os sentimentos e falhas do ser humano são descritas de maneira sincera e pertubadora.

Vamos conhecendo aos poucos todos os personagens, seus sonhos, defeitos e dramas pessoais. A doença de Martin é uma parte marcante do livro, ele não se trata e acaba trancado dentro do apartamento limitado por sua psicose. Robert aparenta ter desistido de viver após a morte de Elspeth e vira uma sombra do que já foi. As gêmeas são ora encantadoras, ora sinistras.

Não consigo imaginar ter alguém ao meu lado todas as horas do dia e da noite, elas dividem a cama, as tarefas, os passeios e fazem tudo junto. Nenhuma delas conseguiu ficar na faculdade, ou ter um relacionamento duradouro porque a outra não poderia estar junto nestes momentos. Aos poucos vamos descobrindo que não é isso que pelo menos uma delas deseja. Mas a forma de percepção e união das duas é bem perturbadora.

Uma Estranha Simetria não é um livro que indico para qualquer leitor, como disse no início, não espere qualquer semelhança com A mulher do viajante no tempo, o primeiro livro fala do amor acima de todas as coisas, este já fala de desejo, de força, de luta e egoísmo. Fala de dramas pessoais e do que as pessoas são capazes de fazer para atingir seu objetivo. Você não irá se apaixonar e torcer por nenhum personagem o livro todo, eles mudam constantemente.

É daqueles livros que te surpreendem da primeira a última página, a autora brinca com o fantástico e o sobrenatural, explora as piores facetas do ser humano e cria uma obra sombria e realista. Uma coisa que fiquei pensando enquanto lia, foi que nos aceitamos os livros juvenis de fantasia e sobrenatural com tanta facilidade, e questionamos este fator a todo o momento quando ele está presente em uma situação mais realista.

Leia este livro se você gosta de obras que te surpreendam, esteja preparado para as vezes sentir raiva dos personagens, pense que eles não são carismáticos, eles são humanos com todos seus muitos defeitos.  Eu amei o livro em determinado momento, não gostei tanto em outros, achei algumas partes bem depressivas, mas avalio a obra no geral pela ousadia da autora. Se você se encaixa neste perfil, eu super recomendo!

Avaliação (1 a 5):

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