Love: A história de Lisey - Stephen King
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>> segunda-feira, 15 de junho de 2026
KING, Stephen. Love: A historia de Lisey. Rio de Janeiro: Editora Suma das Letras, 2021. 536p. Título original: Lisey's Story.
"Para Lisey Debusher, vinte e dois anos, cansada da família e igualmente cansada de estar sozinha, aquilo basta. Finalmente. Ele a chamou de volta para casa e, na escuridão, ela se entrega ao Scott que há nele. Dali até o fim, jamais olhará para trás." p.128
Fazia tempo que eu não lia nada do Stephen King, e este já estava parado há um bom tempo na estante. Romance, drama e sobrenatural se mesclam em Love: A história de Lisey. Confiram o que eu achei!
"Uma história de amor, de um casamento, de uma esposa dedicada e de um escritor bem-sucedido. Uma história de violência, de trauma e de loucura - e sobre os segredos que permanecem após a morte."
Scott Landon fora um escritor famoso, seus livros lhe renderam muito dinheiro, muitas viagens e longas aventuras. Não só neste mundo... Scott tem um passado traumático, cresceu em uma família violenta e superou seus temores de uma maneira, no mínimo, incomum. Ele e sua esposa, Lisey Landon, foram casados por 25 anos, foram felizes, eram completamente apaixonados e não tiveram filhos. Dois anos após a morte de Scott, Lisey se vê mergulhada não apenas no luto, mas também em um complexo legado emocional e literário. Enquanto organiza os papéis do marido, com a ajuda de sua irmã mais velha, Amanda, Lisey passa a revisitar memórias do relacionamento dos dois — um amor profundo, mas marcado por episódios de violência, traumas familiares e segredos perturbadores.
Enquanto isso, no presente, lida com os próprios problemas. Amanda sempre passou por períodos problemáticos, por momentos de depressão. Mas agora entra em um estado completamente catatônico. Lisey é chamada pela irmã mais velha, Darla, e depois de tentar de tudo para ajudar, as duas acabam decidindo internar Amanda em uma clínica. Estranhamente, Scott já tinha visitado o local e conversado com um médico sobre a cunhada, a vaga de Amanda estava garantida.
Alternando acontecimentos do presente com lembranças do passado, Lisey é puxada para o universo íntimo do qual Scott mencionou poucas vezes; um lugar estranho e misterioso chamado Boo’ya Moon: um espaço entre a realidade e a imaginação, que servia tanto de refúgio quanto de fonte de inspiração para o escritor. Ao mesmo tempo, Lisey precisa lidar com ameaças externas, como um fã obsessivo que a ameaça para recuperar qualquer material inédito do autor.
Entre lembranças fragmentadas e uma realidade cada vez mais instável, Lisey embarca em uma jornada emocional e psicológica para compreender o homem que amava e, sobretudo, para encontrar forças para seguir em frente.
"- Porém, se cada livro é um pequena fonte de luz na escuridão... e acredito que sim, tenho que acreditar, por mais piegas que seja, pois escrevo essas porcarias não escrevo?... então cada biblioteca é uma bela de uma fogueira eterna em volta da qual dez mil pessoas vêm para se aquecer todos os dias e todas as noites." p.47
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Acho que este não é um livro do King que todos irão amar, o ritmo e a linha temporal que oscila entre passado e presente deixa a história mais lenta e algumas coisas até mais difíceis de entender no começo. Muitas "didivas" e um "refrigereco" depois e eu terminei o livro encantada, mais uma vez, com a maestria do autor. Entendo a média de nota não tão alta, para para os fãs do King é um romance imperdível. E uma clara homenagem, meio tortuosa hehehe, a esposa do autor!
Love é um dos romances mais pessoais e introspectivos de King, distanciando-se do terror convencional que consagrou o autor para mergulhar na intimidade de um relacionamento e nas marcas deixadas pelo amor e pela perda. Aqui, o horror não está apenas no sobrenatural, mas também nas dores humanas: a perda, as lembranças e os traumas familiares.
A narrativa é construída de forma fragmentada, alternando entre passado e presente, o que pode causar certa estranheza inicial, mas que se revela essencial para transmitir a forma como a mente de Lisey funciona. A protagonista está confusa, afetada pela dor e pelas lembranças que surgem de maneira não linear.
O relacionamento entre Lisey e Scott é tão lindo! E muda tudo na obra, King constrói um retrato complexo do amor conjugal, mostrando não apenas sua beleza e cumplicidade, mas também suas dificuldades, silêncios e feridas.
O elemento fantástico, representado por Boo’ya Moon, para mim funcionou mais como metáfora do que como cenário de terror tradicional. O livro não assusta, mas as criaturas que aparecem em Boo'ya Moon somente a noite, não deixam de ser aterrorizantes. É um espaço que simboliza tanto a criatividade quanto o passado de Scott, e sua presença reforça a ideia de que o amor envolve também compreender, ou pelo menos tentar compreender, os traumas do outro.
No geral, é uma obra mais lenta, densa e emocional do que a média dos livros de King. Não é uma leitura voltada para quem busca sustos constantes, mas sim para quem se interessa por histórias profundas sobre relações humanas, memória e superação. Eu adorei e indico a leitura para leitores mais maduros, leiam!
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Avaliação (1 a 5):
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