Somos todos culpados - Karin Slaughter
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>> segunda-feira, 20 de julho de 2026
SLAUGHTER, Karin. Somos todos culpados. Rio de Janeiro: HarperCollins Brasil, 2025. 416p. (North Falls, v.1). Título original: We Are All Guilty Here.
"Se está procurando alguém para culpar, somos todos culpados." p. 383
Karin Slaughter é uma das autoras que mais gosto quando falamos de thriller e ficção policial. Tenho percebido que seus últimos livros também contam com um lado dramático muito forte. Confiram o que achei do seu último livro lançado no Brasil e primeiro de uma nova série, North Falls, Somos todos culpados!
Na pequena cidade de North Falls, Geórgia, todos acreditam conhecer muito bem todos os vizinhos, até a noite em que duas adolescentes desaparecem durante uma celebração do feriado 4 de Julho com uma grande queima de fogos de artifício.
A família Clifton é enorme na cidade e vêm de uma longa tradição de policiais. O xerife Gerald Clifton, trabalha ao lado da filha, a policial Emmy Clifton-Lang. Emmy foi uma das últimas pessoas a conversar com uma das jovens desaparecidas. Madison Dalrymple tem apenas 15 anos e está passando por aquela fase difícil da adolescência, ela é filha adotiva de Hannah Dalrymple, a melhor amiga de Emmy. Madison perdeu a mãe cedo e o pai se casou de novo com Hannah, sua amada professora. Emmy nunca aceitou a situação e agora que eles tinham um outro filho, tudo está muito mais complicado. Emmy estava trabalhando no local dos fogos e tinha acabado de brigar com o marido, Jonnah, na frente de todos. Quando Mad tenta falar com ela, ela a dispensa e corre para o banheiro. Pouco tempo depois, eles encontram a bicicleta da garota e sangue no campo ao lado do evento.
A outra jovem, Cheyenne Baker, era a melhor amiga de Madison. A bicicleta dela também é encontrada pouco depois, e eles não têm ideia de quem pode ter levado as garotas. Eles começam a mobilizar toda a polícia da cidade e das cidades vizinhas, os moradores se voluntariam para as buscas. A família das duas jovens são investigadas. Tudo parece acontecer muito rápido, ao mesmo tempo em que não descobrem nada realmente relevante. Consumida pela culpa por ter ignorado um pedido de ajuda de Madison poucas horas antes, Emmy mergulha em uma investigação que abala a cidade inteira.
Um professor acusado de pedofilia, um traficante local e alguns outros nomes passam a fazer parte das suspeitas, novas revelações surgem enquanto antigas feridas familiares começam a emergir. Hannah acusa Emmy e a culpa por tudo. Eles começam a perceber que podem estar buscando pelos corpos e não por pessoas desaparecidas.
Doze anos depois
Emmy e Gerald continuam trabalhando na delegacia, agora Cole, filho de Emma, também se juntou a eles. Um criminoso é solto após novas provas o inocentarem, e está de volta à cidade. Coincidência ou não, outra adolescente desaparece misteriosamente em sua bicicleta. Paisley Walker reabre memórias dolorosas e obriga Emmy a revisitar acontecimentos que talvez nunca tenham sido realmente resolvidos.
Eles começam uma investigação, acionam imediatamente o FBI e correm mais uma vez contra o tempo. Esperam conseguir fazer o que não fizeram no passado...
Jude Archer está prestes a se aposentar do FBI, trabalhou mais de duas décadas procurando crianças desaparecidas, lidando com um serial killer que tinha muitas vítimas cujos corpos não foram encontrados, e só aceitava falar com ela. Quando vê a notícia do desaparecimento de uma garota em North Falls, resolve voltar imediatamente à sua cidade natal. Uma cidade onde todos achavam que ela estava morta.
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A autora arrasa em mais uma trama rebuscada, repleta de muitos personagens, muitos dramas e inúmeras reviravoltas. Eu adorei a leitura e sigo fã dessa autora fenomenal! Karin sabe escrever tramas envolventes, com personagens excelentes e dramas de cortar o coração.
O salto temporal de 12 anos deixou o enredo ainda mais envolvente, por outro lado, foram muitos personagens e eu fiquei perdida em vários momentos tentando me situar e lembrar quem era quem. Então não é um thriller simples e exige mais do leitor.
O desaparecimento de Madison e Cheyenne chocou uma cidade pequena, que não estava acostumados a lidar com crimes graves e assassinato. Aparentemente, tudo estava resolvido e o culpado estava na cadeia prestes a receber uma injeção letal. De repente uma prova de DNA liberta a pessoa da cadeia, uma adolescente desaparece em circunstâncias muito parecidas e tudo volta à tona. O caso das meninas é reaberto, Emmy está prestes a surtar e seu pai mal dá conta de acompanhar tudo, Gerald já está com 86 anos. Para piorar, a mãe de Emmy está nos estágios finais do Alzheimer e a família já está lidando com muitos problemas.
Karin Slaughter mantém aqui várias características de seus livros anteriores: personagens complexos e bem desenvolvidos, uma atmosfera sombria e a sensação constante de que algo terrível está prestes a acontecer. Mais do que construir um mistério para encontrarmos o culpado, a autora investe bastante no impacto psicológico que a culpa exerce sobre seus personagens. O próprio título funciona como um guia nesse sentido; praticamente todos carregam algum peso, arrependimento ou responsabilidade, sobre os acontecimentos pregressos.
Difícil falar muito do enredo que vai se desdobrando, porque tudo seria spoiler sobre a primeira parte do livro. O que posso dizer é que achei a trama toda muito bem desenvolvida, o que parecia furo no começo, é explicado no final, quando todas as peças se encaixam. Apesar de algumas partes ficarem confusas com tantos personagens e acontecimentos, eu amei a leitura e estou ansiosa para o próximo livro!
[ALERTA DE SPOILERS] Na primeira parte do livro a investigação é caótica, Emmy era muito inexperiente, ainda fica totalmente abalada depois da briga com Hannah. E logo eles sabem que as meninas não serão encontradas vivas, estatisticamente falando. Ela ignora várias ligações de uma tia idosa, que tentava lhe avisar sobre Adam, que foi visto em sua propriedade com Madison. E Emmy acaba encontrando o corpo das duas garotas lá, no lago da tia. Ela sofre, se sente culpada, seu casamento acaba. Doze anos depois seu pai está morrendo de câncer, sua mãe de Alzheimer, e ela, o filho Cole e o irmão Tommy tentam dar conta de tudo. Quando Adam é solto da prisão por uma análise de DNA, e Paige desaparece, o mundo deles desaba mais uma vez. A população quer fazer justiça e matar Adam, os policiais começam a revisar tudo, desconfiando que erraram na primeira vez. Gerald é assassinado na frente de todos (pelo pai de Madison que queria se vingar de Emmy). E Jude, a agente do FBI que chega à cidade, é irmã mais velha de Emmy, que todos acreditavam estar morta (seus pais sabiam que ela estava viva e tinha fugido da cidade). No final os seriais killers eram 2, o pai de Adam, que ajudou a incriminar o filho (um drogadinho estuprador, que só não era culpado desse crime rs) e ele trabalhava em dupla com Virgil, policial antigo na cidade, que adulterou tudo no passado para encobrir os primeiros crimes. Eu desconfiei de Virgil, mas não do pai de Adam. Lá no final Paige é resgatada com vida, embora totalmente ferida e abusada; Emmy mata Virgil em legítima defesa e o pai de Adam é preso, confessando vários outros crimes da dupla fora da cidade. Ficamos sabendo que Emmy é na verdade filha de Jude, que entregou a filha para os pais e saiu da cidade. Ela ajuda a resolver o caso, fica mais próxima de Emmy, mas não conta a verdade. [FIM DOS SPOILERS]
Essa história ficaria incrível em uma série, quem sabe? Eu adorei a leitura e estou ansiosa para ler o próximo. Quem leu me conte se curtiu, leiam!
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Serie North Falls:
- Somos todos culpados (We Are All Guilty Here)
- Os segredos que escondemos (The secrets we hide).
Avaliação (1 a 5): 4.5
Marcadores:
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