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Quarto - Emma Donoghue

>>  quarta-feira, 29 de junho de 2011

DONOGHUE, Emma. Quarto. São Paulo: Editora Verus, 2011. 250p. Título original: Room: a novel.

“Depois liguei de novo a TV e mexi o Coelhinho, ele deixou os planetas com um pouquinho menos de chuvisco, mas só um pouquinho. Era uma corrida de automóveis, gosto de ver os carros andando supervelozes, mas não é muito interessante depois que eles correm na oval umas cem vezes. Senti vontade de acordar a Mãe e perguntar sobre o Lá fora, com todos os humanos e coisas reais zunindo de um lado pro outro, mas ela ia ficar zangada. Ou podia ser que não acendesse nem nada, mesmo que eu sacudisse ela. Por isso não sacudi. Cheguei muito perto, metade do rosto dela estava aparecendo, e o pescoço. Agora as marcas estão roxas.
Vou chutar o velho Nick até arrebentar ele. Vou abrir a Porta com o Controle e voar para o Espaço Lá Fora e pegar tudo nas lojas de verdade e trazer para a Mãe.
Chorei um pouco, mais sem fazer barulho.” P.77

É muito difícil descrever todas as sensações que este livro transmite, é uma daquelas resenhas difíceis de escrever, porque esta sem dúvida é uma experiência única. Quarto é doce e sombrio, é extremamente triste, mais é recheado de momentos lindos e singelos. Conheça Quarto de Emma Donoghue e prepare-se para se emocionar.

Esta história será contada por Jack, um menino muito esperto e inteligente que tem apenas 5 anos e que viveu uma vida bem diferente dos outros meninos de sua idade. Jack nasceu e cresceu no Quarto, nunca viu a luz do dia, nunca sentiu o vento bater em seu rosto, a chuva caindo do céu, tudo isso é um mistério para ele. Para ele só existe o Quarto, o Lá fora, a Mãe e o Velho Nick.

Mas o Quarto para ele é um lugar enorme e maravilhoso, lá ele acorda, come, aprende sobre todas as coisas, assiste a televisão e faz inúmeras brincadeiras criadas por sua Mãe. O Quarto é cheio de maravilhas e surpresas, como daquela vez em que uma aranha fez uma teia embaixo da mesa. E como daquela outra em que pediram chocolate de presente de domingo.

A única coisa que Jack não gosta no Quarto é de dormir no Guarda-Roupa, é lá que ele tem que fica quando o Velho Nick vem a noite visitar sua mãe. Ele fecha os olhos e tenta, tenta, tenta de verdade dormir. Mas às vezes não consegue desligar e escuta os barulhos e fica contando até infinito, até que o Velho Nick faça um gemido estranho e depois vá embora. Ai é legal, porque quase sempre a Mãe vem buscá-lo e ele pode dormir na cama com ela.

Mas tem os dias não legais, os dias em que a Mãe parece desligada e não acorda para o mundo, só fica lá deitada apagada igual a TV. E neste dia ele tem que fazer tudo sozinho, comer algum lanche frio, ligar a TV ou brincar. Ele gosta de assistir TV o dia todo, mais tem medo, porque a Mãe fala que seu cérebro pode fritar. Tenta tomar um pouco dela, do esquerdo que é mais cremoso, mas nestes dias a mãe não deixa.

O Quarto é o lar que Jack sempre conheceu, a determinação e a criatividade da Mãe garantiram uma infância feliz e inocente ao filho. Ela o criou cheio de amor, o protegeu daquele monstro, mas ela sabe que aquilo não é suficiente. Ela já está presa naquele inferno há sete anos e quando a curiosidade de Jack sobre o mundo aumenta, o desespero da Mãe cresce junto.

E aí ela elabora um ousado plano de fuga, que conta principalmente com a bravura de seu filho e com muita sorte. Só que talvez nenhum dos dois esteja preparado para colocar o plano em prática e se ele não funcionar... o Velho Nick irá ficar muito, muito bravo...

Quarto é narrado pela voz inocente de Jack e a autora consegue transmitir magistralmente os desejos e pensamentos de uma criança tão inocente por um lado, tão sofrida por outro.  Esta é a história de uma amor incondicional, de uma Mãe que foi capaz de fazer um mundo para seu filho, no meio de toda sua dor e de sua vida repleta de atrocidades.

No começo eu estranhei um pouco a linguagem infantil e com alguns erros de concordância, escrita e algumas palavras que o Jack meio que inventava. Mas rapidamente me acostumei e fiquei surpresa com a genialidade da autora. Afinal, se tudo aquilo tivesse sido narrado pela mãe, seria uma narrativa pesada, deprimente e que assustaria grande parte dos leitores.

E ao contrário, Jack cativa e o coração do leitor se enternece junto com ele, se emociona com ele e torce para que algum futuro seja possível. Eu não sei vocês que já leram este livro, mas Jack para mim é extremamente real, nunca li um livro tão intenso e que me despertou tantas emoções. Jack é um garotinho e eu sentia que ele precisava de ajuda, eu queria tirá-lo daquelas páginas e protegê-lo, e claro, chorei muito com ele, por ele.

Esta é uma história de horror transformada em uma história de amor e de esperança. É um livro que apesar de cenas muito tristes todos deveriam conhecer. Então indico para todos os leitores, menos para aqueles muito jovens, que ainda desconhecem todo o horror que existe neste mundo. A história de Jack e da Mãe é uma fantasia, mais poderia tanto ser real que me assusta. Leiam!


Avaliação ( 1 a 5):

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