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Assalto ao poder - Carlos Amorim

>>  sexta-feira, 22 de julho de 2011

AMORIM, Carlos. Assalto ao Poder – O crime organizado. São Paulo: Editora Record, 2010. 532p.

“Os bandidos de alto bordo, caro leitor, não moram nas favelas. Se fôssemos desenhar a pirâmide do crime organizado, teríamos o seguinte quadro: (...) em primeiro, no alto da pirâmide, o que ficou conhecido como “a face oculta do crime”, os financistas e investidores, os operadores da lavagem de dinheiro, gente ligada aos mercados financeiros e de troca de capitais, homens que estão no poder em seus países, muitos deles usando fardas ou faixas presidenciais.”

Assalto ao Poder é o terceiro volume de uma trilogia dedicada ao crime organizado. O jornalista Carlos Amorim faz uma devassa neste submundo, mostrando a relação entre a corrupção e os bilhões de dólares arrecadados com a venda de drogas. O livro-reportagem permite acompanhar o cotidiano de uma sociedade marcada pela violência, numa guerra civil não declarada. Aqui, o autor faz revelações, previsões e denúncias importantes.

Dezessete anos após lançar o primeiro volume da trilogia (Comando Vermelho – A História Secreta do Crime Organizado) Amorim mostra que o crime organizado desenvolveu suas teias, aprimorou estruturas, obteve relacionamento internacional e acumulou riquezas. Como qualquer segmento da economia, o crime organizado se globalizou. As estruturas se tornam transnacionais. É o maior negócio da terra, mais rentável do que o petróleo e a indústria automobilística. E, ainda por cima, não paga impostos, a não ser o da propina.

O crime organizado não tem mais geografia e nem observa classes sociais. Está em toda parte. O autor faz insistentes correlações com o cenário internacional, para demonstrar que o nosso problema com a violência tem vinculações com o mega-negócio do crime em escala global.

Passeando pela história, Amorim mostra que o crime, à medida que acumula riquezas, deixa o porão da criminalidade e adentra a sociedade formal. Vira agente econômico e político. Os “chefões” deixam a clandestinidade e se transformam em cidadãos acima de qualquer suspeita, inclusive eleitos pelo povo. Este é o aspecto mais dramático do processo.

Segundo Amorim, essa pesquisa, desde o início, já soma quase 28 anos. Os três volumes somam 1.300 páginas impressas. O ‘Assalto ao poder’ consumiu mais de mil horas de redação. Roubou o sono do autor e agora rouba o do leitor.

“Sobrevivi a este livro e espero não fazer outro igual”, desabafa Amorim na dedicatória. As razões desse desânimo são óbvias. O problema do tráfico e da corrupção é complexo demais, e suas causas estão inseridas na própria lógica da sociedade em que vivemos. A falta de oportunidades, a desigualdade e a pobreza formam a base do problema da violência, mas o tráfico é ordenado por máfias bem organizadas. O governo parece não entender o que estava acontecendo. Trata o crime organizado como uma questão policial local. Insiste no modelo repressivo, matando gente pobre, bandidos ou não. No entanto, no alto da pirâmide social, s criminosos de terno Armani usam todos os recursos da lei que são sonegados às pessoas comuns.

Os governantes preferem comprar armas e construir presídios, esquecendo que a solução está no emprego, na educação e na saúde. Da lógica da exclusão social, da falta de cuidado com a vida humana, particularmente em relação às crianças e aos jovens, brotou a banalidade da violência. O tráfico ceifou um bom naco da geração de jovens pobres entre 15 e 25 anos, uma vida curta de poucos afagos e muitas aflições. Se nós compreendêssemos melhor a história dessas crianças e jovens talvez nos habilitássemos a compreender o fenômeno da criminalidade organizada no Brasil.

Não li os dois primeiros livros da trilogia, mas vi o filme inspirado no primeiro, 400 contra 1. São histórias complementares, mas independentes. Não é uma leitura fácil, mas ninguém esperava por isso, num tema como esse, né? Além de muito minucioso, o que pode cansar às vezes, mas é necessário pra dar credibilidade aos fatos, ele optou por um método de redação ondulante, indo e vindo do passado para o presente, e vice-versa.

Em Assalto ao poder, o autor olha o problema com as lentes de um cientista político. Mas, talvez por se tratar de uma conclusão, ele exprime as próprias opiniões e seus sentimentos em relação ao drama que vivemos. Ajuda a entender de maneira didática o nexo histórico e sociológico do problema. É uma redação difícil e preocupada.

Amorim dá um exemplo de bom jornalismo: não aceita a primeira versão dos fatos e busca o contraditório. Outra coisa: se lança na aventura profissional de contar uma grande história sobre o nosso povo, nosso país e o tempo em que vivemos. Não é um livro com final feliz, nem mesmo esperançoso, não traz alegrias nem qualquer tipo de orgulho para quem lê. Mas é essencial, afinal, trata-se da tragédia da infância e da juventude do nosso povo e do nosso país.

Já está meio sem graça e repetitivo ficar dizendo que estamos nos acostumando com o sangue jorrando aos borbotões dos corpos de nossos semelhantes. Já vamos aceitando como natural a visão de um corpo estendido no chão – como na canção do João Bosco – com um jornal cobrindo seu rosto exibindo a notícia de um gol. Mas, não dá mais para olhar o corpo no chão e fechar a janela de frente pro crime.

O tema do primeiro livro foi adaptado para o cinema no filme 400 contra 1, do diretor Caco Souza, de 2010.


Trilogia
Para saber mais: http://carlosamorim.com

  1. Comando Vermelho – A história do crime organizado (1993)
  2. CV_PCC – A irmandade do crime (2003)
  3. Assalto ao Poder (2010)
Avalição (1 a 5): 
 


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