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Viajando no mundo das cores

Garota, Traduzida - Jean Kwok

>>  terça-feira, 11 de outubro de 2011

KWOK, Jean. Garota, Traduzida. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2011. 240p. Título original: Girl in translation.

“- Desculpa por ter te trazido para este lugar – murmurou.
Foi o mais próximo que a mãe esteve de expressar seu arrependimento por ter vindo para os Estados Unidos. Entendi qual seria minha tarefa dali por diante, e pousei a cabeça em seu ombro.
- Vou tirar nós duas daqui, mãe. Eu prometo.”p. 41

A autora chinesa conta com muita suavidade a história triste e a vida dura dos personagens de seu primeiro romance, inspirado em sua história de vida quando chegou aos EUA. A história é triste, bonita e mostra como a dedicação e a força de vontade podem mudar ávida de uma pessoa. Conheçam Garota, Traduzida de Jean Kwok.

Kimberly Chang tinha 11 anos quando chegou aos EUA com sua mãe. Vinham em busca de novos sonhos, de uma vida melhor. A mãe tinha acabado de passar uma longa luta contra a tuberculose, mas finalmente conseguiram chegar a Nova York. Vinham em busca do sonho americano, queriam conhecer a “Deusa da liberdade” e construir um futuro para Kim.

As duas conseguiram imigrar com a ajuda da Tia Paula e seu marido, a irmã mais velha tinha se casado e construído uma boa vida no país. Eram donos de fábricas de roupas, prédios e contratavam vários chineses para trabalhar nas fábricas. Kim sonhava em estudar, sabia que seu único talento era para o aprendizado escolar. A menina aprendia tudo muito rápido e sem esforço, sempre teve as melhores notas em Hong Kong e agora precisava deste brilhantismo para ser alguém.

Ela e sua mãe logo descobrem que nada seria fácil. Tia Paula havia prometido abrigo em sua casa e um emprego de babá para a mãe de Kim. Ao invés disto elas vão parar em um apartamento imundo no subúrbio do Brooklyn, em um prédio abandonado, na companhia de ratos, baratas e sem aquecedor. Para sobreviver a mãe de Kim começa a trabalhar na fábrica; recebendo pelo tanto que produzia precisava da ajuda da filha para tornar a renda suficiente para pagar o aluguel, as dívidas com a Tia Paula e alguma comida.

Assim a vida de Kim rapidamente se resume a aulas pela manhã - em uma escola onde o professor tinha claramente alguma coisa contra ela - sem saber falar quase nada de inglês. Depois da escola Kim pegava o metro e ia até a fábrica ajudar a mãe até tarde da noite, no meio de muita poeira e sofrimento.

As noites no apartamento eram passadas na companhia de ratos, baratas e de um frio congelante. Tudo que tinham era um colchão no chão, um fino cobertor e todas as roupas jogadas por cima delas, lá fora o frio congelava a vidraça quebrada.

É na escola que Kim conhece Annette, que irá ser sua única amiga por vários anos. Ela era sempre deixada de lado, alguns riam dela por suas roupas feitas em casa e sua aparente pobreza. O fato dela não entender muito de inglês só piorava tudo. Na fábrica Kim conhece Matt, por quem ela irá se apaixonar secretamente. No meio de tantas penúrias Kim nunca deixa de sonhar, seu objetivo é o estudo, o único meio de melhorar a vida dela e de sua mãe.

Quando comecei a ler, imaginei uma leitura difícil, daqueles livros com evolução lenta que você lê aos poucos e acompanha a vida da personagem. O livro narrado em primeira pessoa por Kim é narrado de forma suave e garante uma leitura rápida. Apesar das grandes dificuldades, Kim carrega dentro de si uma força sem igual, eu só conseguia pensar no que fazia ela seguir em frente em alguns momentos.

A descrição dos lugares e da dura vida das duas era tão real que a sensação de frio congelante ultrapassava as páginas do livro. Eu torci por Kim, temi por ela e quis matar sua Tia imprestável. Eu temia a cada página que a mãe dela adoecesse, que fossem despejadas, já ficava esperando o que poderia piorar. Kim vivia um dia de cada vez, estudava, estudava e estudava. As aulas eram fáceis para ela, difícil era não ter material escolar, não ter casaco de frio, não poder fazer dever porque trabalhava na fábrica. Difícil era ouvir as pessoas falarem que trabalho infantil não existe, era explicar ao professor porque ela não ia bem em atualidades, já que não tinha TV nem dinheiro para comprar jornais.

Eu me emocionei com a história e adorei o livro até o final. Tirei pontos da minha avaliação final exatamente por ele. O final é muito corrido, o foco é todo na protagonista e personagens importantes ficam sem nenhuma menção.  Já disse várias vezes, poucos livros em primeira pessoa me conquistam, sempre sinto falta de saber mais sobre os outros personagens. Nós acompanhamos todos os percalços de Kim por quase 7 anos e de repente, vem aquela história de “12 anos depois” que me irritou bastante. Assim, na hora que algo poderia ser diferente nós não ficamos sabendo como foi sabe?

No mais foi um livro que gostei muito de ler, apesar de triste transmite uma lição de luta, de entrega e de força de vontade inacreditáveis. Se gosta do estilo leia! Kim vai emocionar o leitor em vários momentos.

Avaliação (1 a 5): 

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