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O menino no alto da montanha - John Boyne

>>  quarta-feira, 11 de outubro de 2017


BOYNE, John. O menino no alto da montanha. São Paulo: Editora Seguinte, 2016. 225p. Título original: The boy at the top of the mountain.


“Pierrot se lembrou das instruções que tia Beatrix dera inúmeras vezes e tentou segui-las à risca. Endireitou a postura, juntou os pés e bateu os calcanhares uma vez, rápido e fazendo barulho. Estendeu o braço direito pouco acima da altura do ombro, os cinco dedos esticados. Por último, bradou, na voz mais clara e confiante que conseguiu, as duas palavras que ensaiara vez após vez desde sua chegada a Berghof.
- Heil Hitler!” p.107


Inacreditavelmente, té hoje eu só tinha lido do John Boyne o seu livro mais famoso, O menino do pijama listrado, e eu amei. Li esse livro em 2008, na época eu nem tinha o blog ainda, então infelizmente não tem resenha dele por aqui (pecado, pensei agora até em reler para corrigir isso). Mas finalmente tive a oportunidade de conhecer mais um dos seus livros, e encantada, conto para vocês o que achei de O menino no alto da montanha.


Pierrot Fischer era uma criança feliz e inocente, apesar de todos os problemas familiares, principalmente devido ao alcoolismo do pai. Ele amava seu cachorro e seu melhor amigo, Anshel, que sonhava em ser escritor. Pierrot lia e opinava sobre as suas histórias, aprendeu a linguagem dos sinais para conversar com o melhor amigo e não entendia porque Anshel ia em uma igreja diferente, só porque era judeu. Filho de pai alemão e mãe Francesa, Pierrot não entendia naquela idade, como tudo isso iria fazer diferença no futuro.

Depois de perder o pai, continuou morando apenas com a mãe em Paris. Até que a mãe adoece e vem a falecer, deixando Pierrot, uma criança de apenas 7 anos, sozinho no mundo. Ele acaba sendo enviado para um orfanato, onde fica por pouco tempo. A única irmã de seu pai, Beatrix, envia uma carta e pede que o menino seja enviado para morar com ela. É assim que ele acaba vivendo em uma casa no alto da montanha, em Salzburgo, na Áustria.


Mas não estamos em um ano qualquer, estamos no período que antecede a Segunda Guerra Mundial. E aquela não é uma casa qualquer, a casa pertence a ninguém menos do que, Adolf Hitler.  A tia logo o ensina a fazer uma saudação perfeita ao dono do casa, ensina o que ele deve fazer, como deve agir, o que não deve dizer. Pierrot é um nome muito francês, então ele passa a ser chamado de Pieter. Ele precisa esquecer sua metade Francesa, precisa fingir que é apenas alemão. Precisa parar de responder as cartas de seu melhor amigo Anshel, afinal, ele precisa evitar qualquer contato com judeus.


Em pouco tempo o menino ganha a atenção do Fuhrer  e se junta à Juventude Alemã. Em 1942 Pieter tem 13 anos e quer lutar ao lado de Hitler. Ele ignora todos os avisos, e acredita fielmente naquilo que lhe foi ensinado. Um menino muito novo, que entende muito pouco da vida. Ele logo vai perceber que seu mundo está repleto de medo, segredos, traições e mentiras.


~~~~~~~~


Esse livro é fininho, pequeno, parece uma história simples narrada por uma criança… mas de simples não tem nada. A história é forte, marcante, é triste e ao mesmo tempo chocante acompanhar o crescimento de Pierrot. De uma criança doce e bondosa, que aprendeu a linguagem dos sinais para conversar com o melhor amigo judeu…. Ele passa a ser um jovem alemão, seguidor do Nazismo, fiel a Hitler e seus preceitos. A criança doce e pequena para a idade, que sofreu bullying por isso, é agora o opressor, o que exige obediência dos criados e assusta os colegas em sala de aula.


Como milhões de alemães, Pierrot foi doutrinado, foi ensinado a acreditar em todas aquelas ideias. A história se inverte, e acabamos lendo uma história contada por um opressor e não por um oprimido. O final me surpreendeu, não pelo que aconteceu, afinal o destino da Alemanha na Segunda Guerra Mundial é conhecido, mas pelo epílogo incrível, que muda tudo sobre a narrativa do livro.


Apesar dele ter crescido e se tornado um jovem com pensamentos tão errados, foi impossível não se afeiçoar a Pierrot. Porque ele era uma criança, doce, inocente, que perdeu tudo e aprendeu a viver naquela nova vida. Hitler era um soldado como seu pai foi, ele sentia uma enorme empatia pela pessoa de Hitler, e portanto, começa a fazer tudo para que se orgulhe dele.


É incrível como o autor soube retratar muito bem tudo o que acontecia na cabeça do protagonista. E dá medo pensar na vulnerabilidade da juventude, de como eles podem ser influenciados e esquecer tudo o que acreditavam. E é triste de se ver, como um rapaz tão jovem, pode viver com tantos arrependimentos.

Esse não foi um dos livros favoritos da minha vida, mas ele recebeu nota 5 por outro motivo. Não tem nada que eu não tenha gostado, nada que eu pudesse dizer que faltou ou que deveria ter sido diferente. Então eu não teria como dar uma nota menor, dentro do que o autor se propôs a fazer, ele arrasou. Escreveu uma história única, emocionante e muito singela. Ao mesmo tempo que é forte, triste e com acontecimentos tão pesados.


Leitura única, que mexeu muito comigo. Indico com certeza, uma leitura aparentemente simples, mas que têm uma carga emocional muito forte. Leiam!!


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Avaliação (1 a 5):

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