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Viajando no mundo das cores

Viagem Cinematogrática #1 - Jumanji: Bem-vindo à Selva

>>  sexta-feira, 19 de janeiro de 2018



Jumanji – Bem-vindo à Selva (Jumanji – Welcome to the Jungle, 2017)
Duração: 1h 59min
Direção: Jake Kasdan
Roteiro: Scott Rosenberg, Jake Kasdan, Jeff Pinkner, Erik Sommers, Chris McKenna
Elenco: Dwayne Johnson, Kevin Hart, Jack Black, Karen Gillan, Nick Jonas, Alex Wolff,  Ser'Darius Blain, Madison Iseman, Maribeth Monroe, Missi Pyle, Morgan Turner, Rhys Darby,  Tim Matheson, Marc Evan Jackson, Bobby Cannavale
Trilha Sonora: James Newton Howard
Direção de fotografia: Gyula Pados
Edição: Mark Helfrich

Recentemente eu e a Fernanda (vocês conhecem, deste site!) resolvemos voltar à pré-adolescência e passear no shopping e ir ao cinema, um encontro bem “amiguinhas BFFs”. Para completar esta programação nostálgica, o filme escolhido, muito por minha insistência – vale ressaltar, foi “Jumanji: Bem Vindo à Selva”, o que realmente fez parecer que tínhamos 15 anos e voltamos no tempo.

Sim, eu confesso com um pouquinho de vergonha que tenho uma queda por filmes hoje considerados clássicos, aqueles voltados para o público jovem nos anos 1990/2000. Eles fizeram parte da minha infância, e tenho o lema “recordar é viver e é pop, dá bons vídeos no stories e tweets lacradores”. 

Na verdade, o perfil acima descrito é exatamente o público-alvo in em Hollywood, aquilo que os produtores buscam neste momento, e o que tem se revelado como garantia de bilheteria, tanto no cinema quanto na televisão.

Quando bem-feitas e executadas com uma estratégia de marketing que atinge exatamente aquela “saudade nostálgica” do público, as produções são sucesso de crítica, bilheteria e podem garantir sequências, spin offs e uma longa vida à franquia. Tudo bem, nem sempre agradam os críticos, mas a nostalgia bem executada é a sensação de satisfação mais atual que hoje a indústria do entretenimento se dispõe a produzir.

Jumanji: Bem Vindo à Selva traz o astro do momento, Dwayne The Rock Johnson, e mais atores renomados no cenário cinematográfico de Hollywood, especialmente em comédia: Jack Black e Kevin Hart. Junto ao grupo está Karen Gillan, não tão conhecida quanto seus colegas, mas que deu conta do recado.

O filme não é uma refilmagem, nem continuação nua e crua, mas sim uma recriação baseada no conceito do jogo Jumanji. Porém, desta vez ele foi atualizado, de acordo com as tendências da modernidade tecnológica, e de acordo com o que atrai as crianças de hoje... bem, na verdade das crianças de 1996. Naquele momento, tínhamos o auge dos videogames, o que faz o ser inteligente e racional Jumanji se transformar em um jogo estilo Atari/primeiras gerações de Nintendo.

Em 2017, este jogo agora antigo e histórico chama a atenção de 4 jovens entediados na detenção da escola, que resolvem jogar para passar o tempo: Spencer, um nerd em busca de amigos; Fridge, o astro de Futebol Americano da escola com problema nas notas; Bethany, cuja vida se resume a posts no Instagram; e Martha, que quer ser invisível.

Acontece que os quatro são “sugados” pelo jogo e tomam forma dos avatares que escolheram, o que é a melhor parte do filme e onde realmente acertaram. Spencer, o menino tipicamente nerd, desengonçado e socialmente deslocado acaba ganhando o corpo do Dr. Smolder Bravestone (The Rock), o grande herói protagonista do jogo. Fridge, o enorme jogador de Futebol Americano, ganha  a forma de Moose Finbar (Kevin Hart), o fiel companheiro e ajudante do Dr. Bravestone, especialista em zoologia e que tem bolo como fraqueza (???). Martha ganha o avatar Ruby Roundhouse (Karen Gillan), uma pesquisadora, dançarina/lutadora sensacional, e Bethany, a patricinha que só liga para seu celular, coisas sem glúten sem lactose de acordo com as influenciadoras digitais, escolhe o avatar Shelly Oberon (Jack Black).

O filme então segue o roteiro de um videogame, com os personagens encontrando pessoas e situações dentro do jogo que remetem aos antigos jogos de aventura. Fica bem engraçado, pois as pessoas do jogo são programadas a falar as mesmas frases, usar os mesmos artifícios e caminhos, e as fases estão programadas. Além disso, cada um tem três vidas, e é bastante engraçado vê-los descobrindo tudo o que está acontecendo (basicamente, eles devem vencer o jogo, passar todas as fases sem perder todas as vidas para sair do jogo e voltar a realidade).  

Dito isso, escolhi deixar o lado “crítica de cinema” em casa, e assistir o filme buscando me divertir. E devo dizer que minhas expectativas foram superadas!

Para assistir este filme, é necessário entrar na sala de cinema esperando não o melhor filme da vida, não aquele que receberá muitos Oscars, mas sim um que vai divertir, passar o tempo, agradar e envolver. Os roteiristas, diretor e produtores sabiam disso, e executaram de forma a cumprir este objetivo, e conseguiram.

Fazia muito tempo que não ria tanto com um filme, uma série ou até mesmo um livro. Cheguei a gargalhar alto, chorar de rir, fiquei tensa nas cenas de ação, senti saudade de jogar vídeo game, e questionei todas as lógicas do mundo com a cena do bolo (entendedores entenderão).

Eu confesso que ri tanto que minha barriga doeu como se eu tivesse feito 200 abdominais, meu rímel borrou de tanto chorar de rir (eu acredito que passei vergonha no cinema, e as pessoas riam mais da nossa reação do que do filme propriamente). Assim, devo assumir que  acertaram em cheio para aquele público-alvo mencionado anteriormente, e eu, como uma pessoa que venera os filmes da infância, dou o braço a torcer.

Jumanji e outras refilmagens querem buscar esse público (e a bilheteria atrelada), e acerta ao não copiar ou tentar ser igual ao original, ou uma continuação simples. Entenderam que é necessário prestar o devido respeito ao material mãe, e usar de muita criatividade e bom humor. Este humor pode ser trash, como um bolo explosivo, desde que não seja apelativo.

Uma salva de palmas para as atuações, que carregam a comédia e vendem a personalidade das pessoas por trás dos avatares, especialmente The Rock e Jack Black, que tomam liberdades com os papéis e claramente se divertem no processo.

Minha crítica negativa ao filme fica com o roteiro e a edição. Este claramente não é um filme sobre a teoria da relatividade e o paradoxo do tempo espaço, a premissa é simples e muito fácil de entender, então todas as sequências de explicação da história, com o vilão e tudo mais, foram extremamente desnecessárias e prejudiciais para o enredo e momentum do filme.

Em suma, se você deixar para lá toda a lógica e aceitar que este é um típico filme para se divertir nas férias de verão, a diversão é certa. Você sai da sala com a certeza absoluta de que não assistirá novamente, e que este filme certamente não ganhará um Oscar (afinal, estamos na temporada de premiações, não é mesmo?), mas o sorriso no final também é certo!


Avaliação (1 a 5):



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