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Viajando no mundo das cores

Viagem Cinematogrática: A Forma da Água

>>  sexta-feira, 9 de março de 2018


A Forma da Água (The Shape of Water, 2017)
Duração: 2h 03min
Direção: Guillermo del Toro
Roteiro: Guillermo del Toro, Vanessa Taylor
Elenco: Sally Hawkins, Michael Shannon, Richard Jenkins, Doug Jones, Lauren Lee Smith, Michael Stuhlbarg, Octavia Spencer,
Música: Alexandre Desplat
Direção de fotografia: Dan Laustsen
Edição: Sidney Wolinsky


A Forma da Água é o mais novo filme do cineasta mexicano Guillermo Del Toro, celebrado diretor-roteirista, e o único integrante do grupo Los Tres Amigos (tríade completa por Alfonso Cuarón e Alejandro González Iñárritu) que domingo passado finalmente faturou a famigerada estatueta do Oscar de Melhor Diretor. E de quebra a ainda mais cobiçada de Melhor Filme, bem como outras 2.

O filme conta a história de Eliza Esposito (Sally Hawkins), uma faxineira muda de um laboratório de alta segurança em Baltimore durante a Guerra Fria, que se apaixona por um ser fantástico aquático preso, torturado e estudado pelo governo norte americano. A história é contada em dois arcos: o primeiro, conhecemos melhor a personagem Eliza, seus hábitos, seus relacionamentos, e sua rotina, até que ela conhece a criatura e começa a se relacionar e a interagir com ela. O segundo arco trata da tentativa de Eliza em salvar a criatura das garras de seu torturador, Coronel Richard Strickland (interpretado maestralmente por Michael Shannon), e sua consequente descoberta como uma mulher insatisfeita e infeliz, que quer dar uma chance à felicidade.

Conheci o trabalho de Guillermo Del Toro no magnífico O Labirinto do Fauno, filme que me marcou profundamente, tanto por sua história simples e poética em meio a um contexto complicado e brutal, quanto por sua estética estranha, escura, inovadora e criativa. Acompanhei com carinho, mas distância, seu trabalho ao longo dos anos, e no final de 2016, quando fiquei sabendo da produção de A Forma da Água, liguei todos os alertas Google, acompanhei o passo a passo do filme, as críticas, seu caminho até as 13 indicações ao Oscar, e 4 prêmios, incluindo os principais.

A Forma da Água aparentemente tinha tudo que eu sempre quis e mais um pouco: fantasia, imaginação e criatividade, com ares de contos de fadas, mais uma vez sendo de época mas bastante atual, com temas importantes, relevantes e quentes. Assim, minhas expectativas estavam nas alturas, e acho que isso foi em detrimento à minha percepção do filme, e também provavelmente o será para demais fãs do cineasta.

Não quero dizer o contrário: o filme é bom! Foi meticulosamente elaborado e levado às telas, com uma direção de arte primorosa e digna de Oscar, um elenco dos sonhos que trouxe performances espetaculares à tona, e uma história lindamente pensada: mistura contos de fadas obscuros e medonhos com época passada, e nisso evoca diversas situações e questões atuais, especialmente no Governo Trump. Como O Labirinto do Fauno, os temas aqui tratados o são com simplicidade e poesia, apesar de sua complexidade e brutalidade. É o caso do relacionamento Rússia-EUA; a cultura do assédio sexual da mulher; posições de poder ocupadas por homens e mulheres literalmente sem voz; preconceito a negros e imigrantes; e, especialmente, a dificuldade em aceitar o estrangeiro. Mesmo esse ser estranho sendo um ser mágico, um Deus, a solução de todos os problemas, o medo do novo, do diferente, da mudança de valores, esse medo é o que prevalece.

O problema é que o ritmo é desigual nos dois arcos, sendo o primeiro arrastado e tedioso, problema totalmente resolvido na segunda parte. Acho que foi uma questão de ajuste de roteiro – se os diálogos e as construções de cena fossem tão cativantes quanto o visual dessas cenas, esse filme seria uma obra prima impecável. Outro problema que tive foi com o fato de não termos tanto contato com a criatura, sendo ela uma mera coadjuvante para a protagonista Eliza. Acho que eu entendi errado, ou a ideia que o marketing do filme passou não condiz com a realidade da obra.

Usualmente eu não gosto de personagens maniqueístas, como o de Michael Shannon nesse filme, um vilão totalmente do mal sem qualquer qualidade redentora. Porém, entendi que essa construção de personagem fazia parte da lógica da história, e gostei bastante. Isso me leva a falar de um dos grandes pontos positivos do filme: os personagens e as atuações perfeitas em cada um desses papeis. Sally Hawkins está divina como Eliza (a cena que ela tenta explicar suas frustrações para o amigo, e pedir ajuda dele é uma das melhores trabalhos de atores dos últimos anos), e só não ganhou o Oscar por que a competição foi muito acirrada. Octavia Spencer está num papel feito para ela, que ela faz de olhos fechados, mas mesmo assim não caiu nas armadilhas da zona de conforto. Richard Jenkins está encantador e apaixonante, e rouba a cena, fazendo merecer sua indicação ao Oscar. E Michael Stuhlbarg (que infelizmente foi esquecido das listas de premiação) conseguiu lindamente criar um personagem roboticamente imperfeito, com aflições e dúvidas, mas com muito coração.

Eu acredito que boas atuações vêm do esforço da direção, e agora consigo entender por que finalmente Del Toro levou o prêmio e não mais sofre com comparação de seus colegas/amigos. A competição este ano foi muito maluca e acirrada, e entendo por que esse filme, com suas garras e escamas saiu vencedor.

Outro ponto que merece ser destacado é a trilha sonora de Alexandre Desplat, um dos meus compositores favoritos. Ela é grave e densa quando precisa, mas com momentos de pura magia e leveza, ajudando na história. A última vez que me encantei tanto assim com uma trilha foi em O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Vencedora do Oscar com muita justiça!

No mais, infelizmente o problema de ritmo no início do filme é sério, e infelizmente fiquei com uma sensação de frustação – esperava o melhor filme da minha vida, e não foi isso que assisti. No lugar, assisti um filme tecnicamente bem feito e que agradou, mas em breve deve ser esquecido. Porém, entendo sua beleza e importância, e como várias pessoas vão se apaixonar pela improvável história de amor entre a mulher e o homem peixe!

Nota: 



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