Especial - Ryan O'Connell

>>  quarta-feira, 7 de agosto de 2019

O’CONNELL, Ryan. Especial. Rio de Janeiro: Editora Galera Record, 2019. 220 p. Título original: I’m special (and other lies we tell ourselves).

Com uma capa superfofa e uma série lançada pela Netflix, foi difícil não morrer de vontade e curiosidade de ler/assistir Especial. Quando li o release que acompanha o livro (juntamente com uma cartela fofíssima de adesivos), fiquei ainda mais interessada! É muito boa a intenção de Ryan de fazer uma crítica à forma como vive a geração Y (nascidos entre o início dos anos 1980 e o final dos anos 1990, também chamados de millennials) e ainda contar a história da própria juventude, sendo um garoto gay, com paralisia cerebral e nascido na época da geração que dominou o mundo (Y). Vamos conhecer um pouco da história dele e da crítica que ele faz? Venha comigo.

Se você cresceu acreditando que podia fazer qualquer coisa, se alguma vez tirou uma selfie e aplicou zilhões de filtros e esperou pelos likes e comentários que regariam a pequena semente de sua autoestima, se mergulhou de cabeça em todo clichê imaginável para jovens de vinte e poucos anos (leia-se relacionamentos com todo tipo de calhorda, estágios inúteis, vinho barato, drogas, bandas de gosto duvidoso), se sempre pôde contar com a rede de segurança chamada pais... então, este livro é para você. Se não viveu nada disso, acorde do coma ou volte à terra. E leia a história de Ryan. Se não apreender nada sobre a geração que dominou o mundo, talvez aprenda um pouco sobre você mesmo, afinal, com ou sem wi-fi, os jovens serão sempre jovens.

É com essa mensagem na contracapa que o leitor dá o primeiro passo para dentro da história.

Então você abre o livro e conhece Ryan. Um garoto que, assim como todo jovem (principalmente os da geração Y), tenta se encaixar no mundo postando fotos de uma realidade que não é exatamente a que está vivendo.

Por causa da paralisia, Ryan tem limitações que outros jovens não têm. Em razão disso, ele tenta, por vezes, disfarçar o andar claudicante, os espasmos que o acometem, o fato de uma de suas mãos não se mover da forma normal. Na internet isso é fácil, é só tirar uma foto, aplicar vários filtros até não haver mais nenhuma imperfeição e pronto! Basta postar e aguardar a reação do mundo.

No “mundo real”, Ryan não está exatamente vivendo um momento ruim. Vive em uma cidade grande maravilhosa, mora sozinho, tem um emprego, ganha bem e vive como quer! Quanta liberdade! Ele pode tudo! Fez vários amigos virtuais e conheceu vários caras gatinhos pela internet.

Contudo, a verdade é que fora do mundo virtual Ryan está mais sozinho do que acompanhado, afinal manter amizades reais, no sentido literal da palavra, está cada vez mais difícil com tanta internet, rede social e apps para tudo.

E é exatamente esta a crítica que o autor traz em seu livro, e a parte em que Ryan faz a crítica à própria geração (e por vezes até a si mesmo) é sensacional. Também faço parte da geração Y e me encaixo em algumas das descrições do início desta resenha.

Vivemos em uma época em que tudo pode ser comprado e conseguido com um simples clique! É tão fácil, que ligar para as pessoas se tornou cada vez mais raro (telefone fixo residencial? O que é isso?) – e se encontrar pessoalmente com as pessoas também.

Há amizades que se tornaram tão virtuais que ninguém quer mais mostrar a cara. Talvez, em alguns casos, seja melhor assim, para que ninguém conheça a realidade que não é mostrada na rede social.

Em alguns momentos em que Ryan deixa a crítica de lado para contar um pouco sobre sua vida, eu me identifiquei com algumas situações que ele passa, principalmente em relação ao trabalho como estagiário. Acho que todo jovem em idade universitária passou por algo assim pelo menos uma vez.

Contudo, em alguns momentos achei a narrativa cansativa e alguns diálogos desnecessários. É como se você estivesse conversando com um amigo que resolve te contar algum acontecimento da vida dele com os detalhes sórdidos, aqueles que a gente não quer saber, rs.

Mas, no geral, o livro é uma excelente pedida tanto para millennials, que com certeza vão se identificar com algumas situações, quanto para os que nasceram em gerações anteriores ou posteriores à Y.

Assisti à série de mesmo título na Netflix. O papel principal é interpretado pelo próprio Ryan O’Connell, autor do livro. As diferenças são evidentes, mas eu gostei bastante, de uma forma geral. A crítica é feita de uma forma tão bem humorada quanto no livro. Além disso, ver como Ryan busca a independência, tanto em relação aos pais quanto financeiramente, é tão ou mais interessante que no livro.

A amizade dele com Kim (que no livro aparece por pouco tempo e não se chama Kim, rs) é muito legal! É sempre bom ter uma amiga como Kim, que joga as verdades na cara e ainda te ajuda a ter uma autoestima nas alturas sendo exatamente quem você é.

A atriz que interpreta a mãe de Ryan (Jessica Hecht) é muito expressiva. Como o contato com essa personagem específica é maior na série que no livro, acabei curtindo sua performance mais na série.

Especial é um livro que merece ser lido. Leiam e assistam à série (mas, antes, assistam ao trailer!!)



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Avaliação (1 a 5): 3.5







                
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