Ventos de mudança - Beverly Jenkins

>>  segunda-feira, 4 de outubro de 2021

JENKINS, Beverly. Ventos de mudança. São Paulo: Editora Arqueiro, 2021. 240p. (Mulheres Pioneiras, v.1). Título orginal: Rebel.

"Ela queria o que quer que estivesse por vir. Com ele.
Então, de repente, ele surgiu atrás dela. Seus braços envolveram sua cintura com delicadeza e ela fechou os olhos ao senti-lo." p. 141

A Editora Arqueiro já vem há algum tempo trazendo muitas autoras de romance de época para o Brasil, e a novidade por aqui é o primeiro livro da Beverly Jenkins, romancista que vem cada vez mais sendo aclamada por sua literatura inclusiva. Confiram o que achei do primeiro volume de Mulheres pioneiras com Ventos de mudança.

Nova Orleans, EUA, 1867
Valinda Lacy, 28, tem um grande sonho: transmitir conhecimento, abrir portas, possibilitar um futuro melhor para a sua raça. E para isso ela deixa Nova York e vai ser professora no Sul, onde a população negra necessita de toda a ajuda possível. Com o fim da Guerra Civil, os escravizados foram libertos, mas eles tinham pouca ou nenhuma assistência. Eles precisavam de lugares onde morar, de roupas, de empregos e de conhecimento. Val queria ensinar crianças e adultos a ler e escrever. 

Ao chegar, assustada com o calor e a violência do lugar, ela tenta se adaptar. Mas seus sonhos são destruídos quando um grupo de bandidos supremacistas  invadem e destroem sua escola e tudo o que tem lá dentro. Ao chegar, ela quase é agredida e violentada, mas é salva pelo ex-capitão da guarda da Louisiana, Drake LeVeq.

Drake é voluntário na agência de libertos e faz o possível para ajudar os pretos a conseguirem seus direitos. Mas a agência pouco consegue fazer; não existem verbas específicas para isso, os chefes, homens brancos, pouco se importam, existe muita corrupção e todos fecham os olhos para o que continua acontecendo com os negros. Agressões, assassinatos, contratos de trabalho que pouco se diferem do regime de escravidão. Nascido em uma família tradicional da cidade, Drake nunca foi escravizado, e hoje sua família tem negócios variados pela cidade. Sua mãe, Julianna, que é uma força da natureza, e seus irmãos, tentam fazer o possível para ajudar.   

Ele toma para si a missão de proteger Val, a bela professora. Sua atração imediata pela moça, apesar de jamais ter desejado abrir mão de sua vida de solteiro, é deixada de lado quando ela afirma ser noiva de um jornalista de NY. Ela está na cidade enquanto ele viaja pela Europa em busca de um patrocinador para seu jornal, mas logo irá voltar e ela provavelmente terá que partir. 

Mas Drake puxou o sangue pirata do avô, e uma disputa, faz de Val, um desafio irresistível. 

"Val lembrou que, nas conversas que tinha com seus alunos no antigo celeiro, eles diziam que queriam três coisas da Liberdade: que suas famílias deixassem de ser separadas à força, não trabalhar mais embaixo do chicote e terem acesso à educação para eles e seus filhos." p. 207

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Adorei a narrativa da autora e a história!! Depois de tantos romances de época "mais do mesmo", ou seja, com seus salões londrinos e a aristocracia como pano de fundo, foi interessante mudar de ares. Adorei o cenário, a ambientação e os personagens. Um ótimo início de série.

O cenário pós guerra da secessão é desolador. Os escravizados foram libertados ao final da guerra, mas o sul do país segue em uma guerra velada contra os negros. Não tem escola que aceite pretos, os bondes e outros transportes são separados, e muitos poucos são "marcados" para acesso dos negros. A mesma coisa nos comércios, nas contratações. Eles estão livres... mas sem onde morar, nem onde trabalhar, sem saber ler nem escrever. Que futuro essas pessoas terão? Eles passam dias inteiros nas filas das agências de libertos tentando receber auxílio, emprego e inúmeras outras solicitações. Muitas famílias foram vendidas e separadas e muitas pessoas lutam para encontrar seus parentes perdidos.  Inclusive uma das cenas mais tristes do livro, é quando contam que muitas mães cortavam a ponta do dedo ou da orelha, de seus bebês, para tentar achá-los no futuro, caso eles fossem vendidos e separados. É de cortar o coração. 

Val é uma força da natureza. Ela quer fazer a diferença, mesmo que para isso tenha que enfrentar inúmeras dificuldades. Ela que já era uma mulher livre no Norte, sofre com as dificuldades que enfrenta agora. O preconceito, as agressões, e tudo sem punição. Sua primeira escola é destruída, ela é expulsa da casa onde estava hospedada, e ela não desiste! Logo depois ela é acolhida pela família LeVeq e tudo muda. Adorei a Julianna, uma personagem forte e muito interessante.

Amei Val e Drake como casal. Ele é divertido, provocador, flerta com ela da primeira até a última página. Drake é lindo, solteiro, tem um corpão, e como a família tem dinheiro, é um rapaz disputado na comunidade negra da cidade. Ele segue solteiro, com suas amantes, mas fica logo atraído pela professora baixinha e petulante. E amei que Drake é um homem honrado, esforçado, não um egocêntrico que se acha a última bolacha do pacote, como vemos tanto nesses livros. E como Val é noiva, por boa parte do livro eles são apenas amigos. Adorei que o romance se desenvolve aos poucos, não tem aquela paixão instantânea irritante. Ele é todo atencioso e cuidadoso o livro todo, adorei cada vez que ele a chamava de chérie, muito fofo!   

Apesar das flores vermelhas até bonitinhas, a capa original dá um banhoooo na capa nacional! Gente, olha esse homem lindo e super top piriguetagem literária, essa mulher maravilhosa, e me colocam essa moça aí sem graça de costas aff. Acho que tentaram dar uma pegada mais de romance histórico no livro, mas não se enganem, é romance de época! 

Voltando a história, para mim o único ponto negativo, foram os dramas do livro. Todos os dramas são fracos, mal começaram e já foram resolvidos. A autora perde pontos no drama e na emoção, só uma cena me emocionou e está ligada à escola e não ao romance. Gente, tem uns dramas tão furados rs, vira a página e acabou... poderia ser uauu, mas foi só ok... [ALERTA DE SPOILER] Val tinha um noivo que era seu melhor amigo e ela prometeu se casar com ele mesmo eles não estando apaixonados, ai quando o moço aparece e você já espera ciúmes, drama, o circo pegando fogo; que nada, o moço é gay, ela só queria ajudá-lo devido aos preconceitos e ele logo vai embora feliz por ela. Em uma parte ela é expulsa da casa que aluga, do nada, a noite (as ruas eram muito perigosas para mulheres andarem sozinhas à noite, principalmente por causa dos grupos supremacistas), mas vira uma página ela já achou o restaurante da família de Drake e a mãe dele já ofereceu hospedagem. Os grupos supremacistas que eram muito violentos (é só ver a história para KKK para ter uma leve noção), aparecem, tem um confronto, eles matam um monte de brancos e fim. Nunca que isso iria ficar sem retaliação. O pai dela, que era integrável e temido, dura duas páginas e vaza... enfim rs, os dramas são bobos [ FIM DO SPOILER].

Tirando isso eu adorei tudo e já estou ansiosa pelo segundo volume. Não sei se terá mais livros,  o segundo foi lançado em 2021 nos EUA, então vamos precisar esperar. Pelo que vi na sinopse, os livros são independentes, os protagonistas do segundo não aparecem por aqui. Como o mocinho do livro 2 é jornalista, imagino que ele possa trabalhar no jornal de Cole (o noivo), mas não sei se seguirá essa linha.

Bom, eu adorei e indico para todo mundo que curte o gênero, está na hora de lermos romances fora da caixinha não é mesmo? Leiam!!

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Série Mulheres pioneiras:
  1. Ventos de mudança (Rebel)
  2. Tempestade selvagem (Wild rain). Ainda não lançado no Brasil.
Avaliação (1 a 5):

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