Marrom e Amarelo - Paulo Scott

>>  quarta-feira, 20 de abril de 2022

 


SCOTT, Paulo. Marrom e Amarelo. São Paulo: Editora Alfaguara, 2019. 160 p.

Vira e mexe vários livros causam comoção no mundo literário por algum motivo. Marrom e Amarelo é um deles. Algumas semanas atrás comecei a ouvir bastante sobre ele,  o que imediatamente despertou a minha curiosidade. Será que curti? Leia a resenha abaixo e descubra!



Federico e Lourenço são filhos de pai militar, preto, com cargo importante na polícia.  Lourenço,  nasceu preto como o pai, enquanto Federico puxou a mãe, sendo branco dos cabelos lambidos. 

Lourenço nunca levou muito a sério o preconceito das pessoas,  o racismo agressivo e humilhante que os pretos passam desde os tempos mais primórdios.  Ironicamente,  toda a revolta e necessidade de combater o racismo se acumulou em Federico, apesar de se perguntar a vida inteira se alguém levaria sua luta a sério, pois ele não se sentia negro, nem sofria o mesmo preconceito do irmão. 

Apesar disso, ele lutava. Agora, com o novo governo, foi convidado a compor uma comissão em Brasília,  para discutir como ficariam as cotas negras na universidade.  O trabalho na comissão acaba por desenterrar situações de seu passado que mexem muito com ele. Ao mesmo tempo que uma situação em sua família coloca em cheque a sua permanência na comissão. 


Narrado em primeira pessoa por Federico, o livro é escrito de uma forma bem peculiar que  apenas fãs de Saramago talvez compreenderão.  Cada capítulo é composto de apenas um parágrafo inteiro e tudo é escrito por extenso,  sejam datas, sejam percentuais,  qualquer numeral. A forma de escrita me incomodou muito no início,  pois acabava causando uma certa falta de fôlego durante a leitura e, apesar de rápida,  acabava sendo muito cansativa. Mas, depois de um tempo acabei me acostumando. Além disso, o livro alterna a narrativa entre o presente e o passado de Federico o que não incomodaria, se não fosse o fato de, em alguns momentos, ser difícil entender se está narrando o passado ou o presente.

Achei interessante,  no início, a luta de Federico, a sua intenção de ajudar a acabar com o racismo,  toda aquela raiva que ele tinha dentro de si. Mas com o passar da história, acabei percebendo que ele estava mais desanimado com a causa do que lutando por ela. Acho que faltou explorar mais o tema do racismo, ir um pouco mais a fundo. 

Talvez isso se explicasse pelo fato de Federico acreditar que tudo o que fez na vida foi inútil e já não quer tanto lutar mais, pelo menos foi a impressão que me passou, sobretudo, após o passado voltar a assombrá-lo, fazendo-o repensar a vida. Mesmo assim, não acho que seja uma grande justificativa.

Além disso, os acontecimentos do presente podem acabar dando outro rumo para a vida dele. Um rumo que me fez pensar: "Poxa, você vai realmente fazer isso? Lutar tanto para acabar fazendo isso?" É muito difícil explicar, mas quem ler vai entender. 

Pior do que essa frustração (que de certa forma dá até para entender, pois é muito cansativo ter que lutar contra a maré,  ser aquela andorinha solitária querendo fazer o Verão, digamos assim) foi a frustração com o final. 

Juro, me faltam palavras para dizer o que senti com o final da história e passei horas depois do fim da leitura tentando encontrar uma explicação e nem a que encontrei parece plausível.  

Mesmo assim, achei interessante o livro trazer como tema o colorismo,  as diferentes cores que temos,  e o racismo em si e as diversas formas com que o preconceito pode afetar as pessoas. 

Outra coisa interessante é o título do livro,  que faz referência à forma como o pai chama os filhos, sendo Federico o "Amarelo", levando o leitor a deduzir que Lourenço seja o "Marrom". 

Se você tem curiosidade de conhecer o trabalho do autor, leia! Se você ficou curiosa (o) de conhecer mais sobre Marrom e Amarelo, leia também! E se você procura livros com o tema racismo, esse livro também é para você!

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Avaliação (1 a 5): 







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