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Viajando no mundo das cores

Bonde da felicidade

>>  segunda-feira, 6 de junho de 2011


Se Vinícius de Moraes vivesse nos dias de hoje, talvez um dos versos de Receita de Mulher fosse um pouquinho diferente: “Os muito felizes que me perdoem, mas tristeza é fundamental”. Será que eu perdi o bonde e não vi o momento em que a presidenta do País decretou a felicidade compulsória?

Você não precisa ser a gêmea Valentina em Uma Estranha Simetria, de Audrey Niffenegger, para perceber que, às vezes, não está fazendo realmente aquilo que queria. Não falo de trabalho, falo do tempo livre, daquilo que deveria te dar prazer.

Imagine a cena: você acorda cedo no domingo sem muitos planos para o dia. Fica na cama pensando no que poderia fazer para otimizar a sua total liberdade de não fazer nada. Os planos são: talvez acabar de ler aquele livro, ver o filme que alguém indicou durante a semana, dar banho no cachorro, curtir aquela fossa no finalzinho da tarde...

O telefone toca. É um amigo convidando para um churrasco. Uhuuuu! Você pula da cama animadíssima! Hoje é dia de passar fome, porque o abençoado do churrasqueiro sempre se esquece de acender o fogo, comer carne mal cortada e fora do ponto, beber cerveja quente e ouvir trilhas sonoras muito inusitadas, pra não dizer outra coisa. Não, obrigada, você diz. Do lado de lá, cogitam, o que te faz ser menos feliz que eles.

Ok, eu sei que churrascos podem ser D-I-V-E-R-T-I-D-Í-S-S-I-M-O-S, oportunidade para encontrar amigos, bater um bom papo. A cena acima é só um exemplo. Às vezes, eu gosto muito de um churrasquinho. Mas, às vezes, não. E não me convencem armadilhas emocionais politicamente corretas que fazem crer que essas são obrigações sociais que eu devo cumprir para... ser feliz.

A impressão que tenho é que as pessoas estão vivendo uma eterna gincana: quem está mais animado para o feriado, quem se divertiu mais na última festa inesquecível ou quem aparece em mais eventos nos álbuns das redes sociais. Não consigo me enquadrar no que os outros convencionaram ser rituais de prazer.

Sinto nas pessoas uma certa obrigação de ser feliz. Uhuuuuu! É o lema. O mundo anda barulhento demais. Uma espécie de euforia compelida... quase uma histeria coletiva... que vai crescendo... e fica difícil prestar atenção em alguma coisa... fica difícil prestar atenção nas pessoas... Faz-se mais e sente-se menos.

Parece que todos vivem 24 horas por dia numa felicidade profunda. Chuchu, não fique decepcionado com essa informação, mas é impossível ser sempre feliz como nos anúncios de margarina e sexy como nos comerciais de cerveja.

É hora de parar e se perguntar: “a atividade que estou fazendo no meu momento de lazer realmente me dá prazer?" Esta é uma pergunta fundamental. A minha eu já sei. Eu não sou do uhuuuu!, não sou de matilha, nem de fazer “a social” e me entedio com todo-mundo-junto-o-tempo-todo. Mas entenda, não estou abatida, nem deprimida, não maltrato criancinhas, dou passagem na faixa de pedestres e cuido muito bem dos meus bichos.

Quer saber? "Triste é quem tem obrigação de ser feliz".

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