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O que falta ao tempo - Ángela Becerra

>>  quarta-feira, 27 de julho de 2011

BECERRA, Ángela. O que falta ao tempo. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2011.380p. Título original: Lo que le falta al tiempo.

“Olharam-se e permaneceram mudos vivendo o feitiço do encontro. Aluna e professor, suavidade e força, juventude e madurez, ingenuidade e maestria, ímpeto e reflexão, instinto e experiência, o equilíbrio da beleza duplicado nos contrastes.” Pg.48

O inverno Parisiense compõe o cenário desta história, marcada por pinceladas obcecadas, por desejos lascivos, egoísmo, traições e um estranho segredo. Tensão e desejo sexual são as principais características da obra que vou falar hoje, conheçam os personagens únicos de O que falta ao tempo da colombiana Ángela Becerra.

Sombria é a Galeria Dantzig, sente-se no ar as frustrações de um velho pintor, o professor fez sucesso nos  anos 60 e só ele sabe que há muito perdeu sua inspiração... nas ruas cobertas de neve de Paris você observa a aluna andando calmamente, com os pés descalços e um leve sobretudo negro...  a esposa está na frente do Grand Palais, uma célebre fotógrafa que inaugurava mais uma de suas exposições de sucesso.

Mazarine Cavalier acaba de completar 23 anos, a jovem pintora parisiense vive sozinha em uma antiga casa no Quartier Latin, com hábitos estranhos a casa enorme está tomada por poeira, a plantação de lavanda cresce solta pelo jardim enquanto a jovem saí andando descalça pela neve. Os pés descalços, o longo casaco negro e o medalhão no pescoço, enquanto caminha ansiosa para o ateliê de seu professor.

Cádiz é um célebre pintor, na faixa dos 60 anos que ficou famoso por seus quadros dualistas e agora está preso em seu ateliê, em busca de inspiração para sua nova exposição. Sara sua esposa está no auge de sua carreira, prestes a inaugurar mais uma exposição a fotógrafa tinha fama e reconhecimento. Eles pertenciam a nata cultural de Paris, eram ricos e respeitados.

Para Mazarine os quadros de seu professor eram intimidadores, poderiam manipular a psique de um observador até tirar deles seus desejos mais escondidos, ela se sentia hipnotizada diante de sua obra. Cádiz só tinha olhos para os pés perfeitos da moça, descalços e delicados, eles despertavam seus desejos mais profundos, olhá-la provocava sensações há muito tempo esquecidas; junto com a vida sentia a inspiração brotar.

A relação entre aluna e professor logo tomam outras proporções, ela ansiava por sua presença, consumia-se em sua ausência e diluía-se ao toque de seu pincel. Ele não conseguia pintar longe dela, passava cada vez mais tempo no estúdio e não conseguia tirar a imagem da virgem descalça de seus pensamentos. Ele precisava dela, para pintar, seus pés eram a inspiração que faltavam.

“- Não quero classificá-la. Você é dualismo em estado puro. Não o meu dualismo. Todos somos duais. Acho que você é ingênua, mas também maligna, e gosto disso.”p.65

Mas Mazarine era mais do que uma moça inocente, escondia um grande segredo capaz de por em seu encalço toda uma seita misteriosa. Todos aqueles personagens terão suas vidas entrelaçadas e esta história tomará rumos surpreendentes e inesperados.

Quero desesperadamente contar mais desta história para vocês, mas a magia do livro está na descoberta. A história foi uma surpresa enorme, muito melhor do que eu esperava, e olha que gosto muito do estilo dos autores sul americanos. Podemos reconhecer aqui algumas características das obras de Isabel Allende e Gabriel Garcia Marquez que eu amo; com seus personagens extremamente humanos e caricaturados e com um toque místico e sobrenatural. A paixão pela arte e as descrições belíssimas me lembraram Os ladrões de cisne da Elizabeth Kostova.

É uma daquelas histórias onde você acha que sabe o que vai acontecer, tem sentimentos diversos pelos personagens e se surpreende positivamente. Cádiz pode até ser um gênio da pintura, mas é extremamente egoísta e mesquinho, não mede esforços e nem limites para conseguir o que deseja; Mazarine é uma menina ingênua, solitária, triste e apaixonada que toma atitudes extremas para seguir seus ideais, às vezes parece ter perdido a razão em outras mostra sinais de depressão.

Engraçado que o que mais me incomodou foi a protagonista descalça o tempo todo. Eu amei a capa do livro e só conseguia pensar que os pés da moça deveriam estar bem mais sujinhos rs. E fora que em alguns lugares eu ficava pensando em como ela conseguia entrar descalça sem parecer uma indigente. Pelo jeito a explicação é que artistas são assim mesmo, era excêntrico mas aceitável.

Os protagonistas são movidos pelos seus desejos e pelo EU que comanda suas vidas; agem sem pensar nas consequências e vão revelando aos poucos uma rede de mistérios bem guardados. O segredo de Mazarine e o mistério por trás dele ficam como uma surpresa para o leitor e garante o aspecto surpreendente da trama. O meu personagem preferido fica sem nome e sem menção, qualquer coisa que eu falasse dele seria spoiler. =]

Se você se identificou com o estilo da narrativa acima, leia! É uma obra fantástica e primorosamente escrita. Eu quero outros livros da autora, vi que ela tem mais dois livros já lançados aqui, se você já leu deixe aqui sua opinião.

“- Não diga nada. Permita que eu sonhe que seus olhos vão me dizer sim; que um dia você vai abrir para mim o lugar onde moram os seus silêncios. Não, não diga nada. Deixe que eu me perca na alegria de saber que é minha, mesmo que não o seja.” P.180

Avaliação (1 a 5):

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