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Identidade roubada - Chevy Stevens

>>  sexta-feira, 12 de agosto de 2011

STEVENS, Chevy. Identidade roubada. São Paulo: Editora Arqueiro, 2011. 256p. Título original: Still missing.

"Para matar alguém como ele seriam necessárias uma bala de prata, uma cruz e uma estaca fincada no coração."

O conteúdo do livro que estou lendo sempre me afeta, alguns me fazem refletir sobre a minha vida, escolhas e sonhos. Outros me fazem pensar que eu poderia ter feito algo diferente, tem aqueles feitos apenas para me fazer sorrir ou esquecer do mundo, a fantasia me faz acreditar que muito mais é possível. E tem aquele livro que te surpreende de tal maneira que você não consegue se ver naquela posição, não consegue nem imaginar algo parecido. Identidade roubada da canadense Chevy Stevens é forte, é triste e cruel, mas faz com que o leitor valorize cada dia de sua vida, cada minuto de sua liberdade.

Annie O’ Sullivan era uma mulher como qualquer uma de nós: aos 32 anos trabalhava como corretora de imóveis, tinha um namorado legal, sua própria casa, sua inseparável cadela Emma e era razoavelmente feliz. Claro tinha seus problemas, trabalhava demais, não se dava muito bem com a mãe que vivia bêbada e ainda sofria a perda precoce do pai e da irmã mais velha em um acidente de carro. Mas se ela fosse pensar no que viria a seguir, diria que era a mulher mais feliz do mundo naquele momento.

Annie vivia na pequena cidade canadense de Clayton Falls e em uma tarde ensolarada de domingo, quando estava para terminar o plantão de vendas em uma casa é abordada por um homem disposto a fechar o negócio. De boa aparência, sorridente e de olhos azuis parecia um ótimo cliente, simpático e educado; na verdade ela acabara de conhecer um psicopata, o homem que destruiria sua vida.

Annie é seqüestrada, levada para um chalé isolado nas montanhas e fica prisioneira de um monstro por um ano. Durante este tempo ela será submetida a todo tipo de atrocidade que você puder imaginar, a tortura psicológica podia por vezes se pior do que a física. Constantemente presa e sem conseguir diferenciar o dia da noite ela tem que seguir a rotina doentia de seu algoz: ele limitava sua ida ao banheiro a apenas quatro vezes ao dia e com horário marcado, ela tinha que dormir ao seu lado abraçada, usar sempre os mesmos vestidos e comer sempre no mesmo horário. Qualquer passo errado e o castigo era assustador.

A história é contada pela própria Annie que tenta voltar a ser uma pessoa normal. Livre daquele inferno ela precisa recomeçar sua vida, mas nunca mais seria a mulher que já foi um dia. Não conseguia se aproximar das pessoas, tinha muitos comportamentos compulsivos e estava constantemente aterrorizada. Ela não sabia porque tinha sido escolhida, porque o destino a escolhera para tamanho sofrimento.

Depois de meses fora do cativeiro ela ainda não consegue ir ao banheiro ou comer fora do horário. Em uma tentativa de melhorar Annie narra seu passado sombrio a uma terapeuta, ao longo de várias sessões ela revive tudo que aconteceu naquele chalé, narrado de forma muito realista nós acompanhamos seu passado assustador e sua luta para voltar a viver.

“Eu não tinha como me proteger, nem como sair. Era preciso me preparar para o pior, mas eu nem sequer sabia o que o pior poderia ser.”

Eletrizante, sensacional, inacreditável... faltam-me adjetivos para definir este livro, uma história diferente, triste e surpreendente. Eu estava preparada para o drama, para as cenas tristes e fortes – chegamos facilmente a esta conclusão só pelo título e pela sinopse. Mas não estava preparada para a reviravolta na trama, nem para a sordidez e a maldade humana em tão alto nível.

Desde o começo a história acompanha as sessões de Annie com sua terapeuta, em flashes entre presente e passado ela vai narrando tudo desde o momento em que foi seqüestrada, o inferno que passou no chalé e que continua vivendo do lado de fora. E quando você imagina que sua libertação é o ponto x da história, descobre que tem muito mais a ser descoberto.

Seu seqüestrador parecia saber tudo de sua vida, sobre seu passado e as pessoas próximas a ela. Além da luta por sua sobrevivência, ela ainda sofria pensando no que ele poderia fazer depois que ela não estivesse viva, suas ações e suas escolhas são impossíveis de se lidar. Do lado de cá, eu não consegui me colocar nem de perto no lugar da protagonista, acho que ela precisou de uma força muito maior para resistir a tudo aquilo do que para desistir.

Recentemente eu li Quarto que também narra uma história de vida em cativeiro, porém como Quarto é narrado por uma criança de 5 anos o livro é mais sutil e muito triste, você pode imaginar todo o horror, mas muitas vezes ele está implícito. Identidade roubada não pouca o leitor de suas descrições fieis e aterrorizantes. O livro é intenso e muito forte, é pesado, triste e até cruel. Porém, é também uma daquelas historias que te faz perder o sono para saber o final.

Esta não é uma história que me fez chorar, me fez sentir asco, pena e indignação. Pensar que realmente existem “pessoas” como aquele psicopata é abominável e difícil de se imaginar. Com certeza recomendo muito a leitura, o livro é fantástico, mas leia a resenha e veja se está preparado para esta história.


Avaliação (1 a 5):

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