Peregrino - Marcos Monjardim

>>  terça-feira, 1 de novembro de 2011

MONJARDIM, Marcos. Peregrino. Rio de Janeiro: Editora Multifoco, 2011. 444p.

“- Tenho que acreditar. Como dizia um grande amigo meu, tenha fé nos deuses e consiga. Faça sua parte e deixe que os deuses guiem seu caminho. Isso é só o que eu posso fazer.”p.292

O livro de hoje narra uma aventura épica, uma aventura que começou com dois guerreiros, cada um deles com interesses e objetivos muito diferentes e esta narrativa não termina até que os dois encontrem seus destinos, através de muitas terras e de muitas batalhas. Marcos Monjardim é o autor nacional do mês de novembro no Viagem Literária e hoje vocês vão conhecer Peregrino.

Enoque e Thiers eram os melhores guerreiros do clã Baharan, originários das geladas terras da Huega, ao norte do grande continente. Terra de invernos longos e frios, e verões muito curtos. Nestas aldeias o governo era exercido pelo chefe do clã, que tomava a decisão por todo seu povo. A aldeia dos Baharan era muito bem localizada, com um grande lago que fornecia comida mesmo durante o inverno rigoroso. E tudo começou durante um dos piores invernos, no meio do vento cortante.

Enoque era sobrinho do grande patriarca, o provável sucessor do chefe do clã. Era um guerreiro impiedoso, forte e que não temia uma boa batalha. Enoque era impulsivo, orgulhoso e tinha grandes planos para a Huega. Enquanto isso Thiers era um estrategista, evitava confrontos desnecessários embora fosse um ótimo guerreiro. E quando a aldeia estava prestes a ser invadida, os desejos de Enoque por uma batalha sangrenta são combatidos pelas ideias inovadoras de Thiers.

Deste combate restam inimigos mortais, cada um com seu seus planos e sonhos, ambos partem rumo ao desconhecido. Um sonho premonitório leva Thiers em uma busca bem longe de sua terra natal. Ele sonha com uma floresta, com casas suspensas em árvores e com uma linda mulher. 

Enquanto segue na busca pelo local que conhece apenas de seus sonhos, Thiers salva um viajante da morte certa e pelo jeito o destino estava agindo novamente. Ele conhece Jonas, jovem e inexperiente, o rapaz partia em busca de ajuda para defender sua tribo contra os guerreiros Vizu. Ele era um Brantiano, vivia no reino de Brant, nas terras governadas pelo Duque da Desesperança - o irmão do Rei que explorava e maltratava seu povo.

Thiers tem a chance de terminar sua busca e de ajudar todo um povo que sofria injustamente. Porém, o destino irá lhe colocar novamente junto de seu maior inimigo. Enquanto ele busca a justiça para o seu povo, Enoque tem uma grande ambição e busca apenas a vingança. Enquanto isso, o falcão peregrino apenas observa e mais uma vez o destino está lançado.

Forcei-me a parar a história por aqui, senão acabaria contando para vocês mais do que devia. O enredo de Peregrino é fantástico, para quem gosta de aventuras medievais e de grandes batalhas o livro é uma ótima indicação. Apesar do tamanho do livro a narrativa não é cansativa, pelo contrário, diálogos divertidos e muita ação fazem a leitura fluir. As descrições também são muito bem feitas, cenários e cidades muito bem construídos, eu conseguia imaginar todos aqueles locais.

Eu gostei muito dos personagens principais: Thiers com sua personalidade centrada e pronto para enfrentar qualquer desafio, Jonas com seu jeito “bobalhão” - é meu personagem preferido, Nathalie uma guerreira desde criança – não pude falar da personagem na resenha, mas ganha destaque na metade do livro.

“- Mas somos aldeãos, jamais conseguiremos aprender a usar o arco a ponto de nos defendermos.
- Como não, João? Se até meu filho conseguiu derrubar um guerreiro Vizu. Se ele pôde, imagine nós.
- Obrigado papai. Às vezes me pergunto como consegui chegar à idade adulta sem me jogar dentro do fosso da aldeia – Jonas comentou com escárnio, mas com certo humor que levou a todos a romperem em gargalhadas. Definitivamente ninguém o levava à sério.” p.108

Apesar de a trama ter me conquistado, agora tenho que falar do que não gostei. A narrativa ágil garante uma leitura muito gostosa, porém senti que alguns acontecimentos importantes foram contados de forma muito corrida, o que tira a emoção destas passagens. Um exemplo é quando Thiers chega a vila de seu sonho e encontra a mulher que buscava, faltou romance e faltou desenvolver a relação entre eles. Senti este problema em algumas outras passagens, mas não posso citá-las aqui pelos spoilers.

Mas o grande problema do livro está mais uma vez na revisão. Não é a primeira vez que ótimos livros nacionais perdem ponto comigo por causa dos erros, acho muito triste ver este descaso com nossos autores por parte da Editora, mas infelizmente está se tornando uma realidade. O livro tem diversos erros de digitação, de concordância, de pontuação e até de continuidade. Não curti a capa também, acho que um falcão Peregrino enorme teria ficado bem mais legal. ^^

No mais a trama de Peregrino vai agradar ao leitor que gosta do estilo, me lembrou um pouco A fome de Íbus do Albarus Andreos, embora o Albarus tenha uma escrita mais refinada, enquanto o estilo do Marcos é mais leve e divertido.

Se você já leu me diga aqui o que achou, senão, te convido a conhecer a obra e viver muitas aventuras ao lado de Jonas e Thiers. Leiam!

Marcos Monjardim é o autor do mês de novembro aqui no blog, aguardem que em breve tem promoção e entrevista com o autor.

Avaliação (1 a 5):

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