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Viajando no mundo das cores

Entrevista - Evandro Raiz Ribeiro

>>  quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Evandro Raiz Ribeiro nasceu em Pernambuco, ainda adolescente foi para Santo André e hoje reside no Japão. Estas experiências ajudaram na construção de Dennis, protagonista de seu primeiro livro – Não deixe o sol brilhar em mim. Das dificuldades do personagem em se adaptar em uma nova cidade, com uma madrasta que não o aceitava e o bullying sofrido na escola surgiu uma historia de vampiro diferente. 

Inspirado no filme Let the right one in surge uma historia de vampiros diferente. Segundo o autor "Ao contrário dos filmes atuais, ali estava uma nova concepção do vampiro. Esta concepção foge da figura clássica do ser misterioso e tenebroso cheio de poderes e do atual vampiro galã e sedutor."

Nesta entrevista exclusiva ao Viagem Literária ele fala da construção do livro, das diferenças e inspirações inspiradas no filme, de seus futuros projetos e de seus personagens. Boa leitura!

Oi Evandro, obrigada por participar da entrevista no Viagem Literária. Para começar nos fale um pouco sobre você e com começou sua carreira como escritor.
Evandro - Quem agradece sou eu pela oportunidade. Sou Evandro Raiz Ribeiro nascido em Recife, Pernambuco em 1962 de descendência grega por parte de mãe, de onde vem o “Raiz” de meu nome. Passei a infância entre Pernambuco, Paraíba e Alagoas confirmando minhas raízes nordestinas, e a adolescência em Santo André, São Paulo onde tirei as experiências vividas para escrever “Não Deixe o Sol Brilhar em Mim”. Em 1992 vim ao Japão à trabalho e me encontro por aqui até hoje sem ter retornado uma única vez ao Brasil, coisa que pretendo fazer em breve.

Logo no prefácio do livro você fala da relação da historia com o filme Sueco que depois ganhou uma versão americana "Let the right one in". Como surgiu a ideia e como o filme te inspirou no desenvolvimento do enredo?
Evandro - O filme do diretor sueco Tomas Alfredson baseado na obra homônima do escritor também sueco Jonh Ajvide Lindqvist me impressionou muito. Ao contrário dos filmes atuais, ali estava uma nova concepção do vampiro. Esta concepção foge da figura clássica do ser misterioso e tenebroso cheio de poderes e do atual vampiro galã e sedutor. Uma garota, criança, sem poderes apenas com a sede de sangue a lhe atormentar e a solidão que a condição lhe impõe. Eu sempre quis  escrever uma história de vampiros, e me apaixonei por essa nova concepção do vampiro.

Assistindo ao filme Let the right one in e lendo o livro percebemos inúmeras semelhanças no enredo do livro com o início do filme, apesar do final do filme ser totalmente diferente. Você sofreu alguma crítica neste sentido?
Evandro - Quanto ao enredo, pouca coisa é baseada no filme; temos o encontro entre as personagens; o protetor e provedor  humano;  a perseguição às pessoas que maltratam o garoto; a cena final das mortes dos malfeitores. Quanto a história em sí, é completamente diferente, principalmente quando se lê o livro da história sueca. Não quero fazer spoilers, mesmo o livro não tendo sido publicado no Brasil. Mas a história sueca é baseada em elementos totalmente diferentes da minha, a começar pela relação entre as personagens principais. Se engana quem pensa encontrar uma relação de amor e amizade; o que temos lá é uma relação de interesse outros pontos que quem só assistiu ao filme não vai saber.
Quanto á críticas, recebi alguns comentários que considero irrelevantes, pois foram feitos por pessoas que não leram meu livro. Acho que uma pessoa que faz acusações e comentários baseados apenas na leitura de uma sinopse (que inclusive mudei, atualmente a sinopse oficial é outra e poderá ser encontrada no meu site e blog) não pode ser levada a sério.
Além do que, pessoas capacitadas nessa área, assistiram ao filme, leram meu livro e me deram um parecer, apesar que particularmente achei desnecessário, pois tenho consciência do que escrevi. Fernando Sabino escreveu “Os Amores de Capitu”, Domício Proença Filho escreveu “Capitu Memórias Póstumas” ambos os livros são adaptações livres da obra de Machado de Assis “Dom Casmurro”. Em ambos os livros os autores usaram as mesmas personagens e a mesma história criada por Machado de Assis e a reescreveram a sua maneira, e de forma alguma pode-se chamar o trabalho desses dois grande autores de plágio. 
Essa problemática serviu para me dar a ideia de uma nova promoção, vou sortear no meu blog  um exemplar impresso em Portugal de Let the Right One in intitulado “Deixa-me Entrar”; O Bluray de “Let the Right One In” na versão original sueca (região A a mesma do Brasil) e “Não Deixe o Sol Brilhar em Mim autografado por mim enviado do Japão (apenas uma pessoa no Brasil tem um exemplar autografado) aguardem , logo será postado em meu blog.

Comparando a sua biografia com o enredo do livro vemos também algumas semelhanças, você se baseou no início de sua vida em Santo André ao escrever?
Evandro - Apesar de nenhuma personagem ser real, toda a história paralela ao tema sobrenatural, foi baseada em acontecimentos reais passados por mim ou por pessoas a minha volta. Os lugares são reais, a perseguição familiar aconteceu, eu estudei naquela escola, eu morei naquela casa, eu passeie por aquelas ruas, sonhei em comprar o LP de Elton John naquele Shopping Center. Valquíria existiu, na figura de algumas garotas que fizeram parte de minha adolescência. Uma em particular deu nome à personagem e quem quiser saber mais detalhes, pesquise no meu blog em “tudo sobre o livro” e depois em “personagens”.

Você acredita que o mercado para romances sobrenaturais está saturado? Depois de tantas séries vampíricas muitos leitores questionam a originalidade nestes enredos depois da febre “pós Twilight”.
Evandro - Eu acho isso uma tremenda bobagem, não existe limite para a imaginação, pode-se escrever sobre qualquer assunto por mais que ele esteja em evidência.  Uma história pode ser boa ou ruim, mas não acredito na saturação do tema, pois o conteúdo pode ser totalmente original e interessante por mais que tenha sido abordado. É claro que existe uma cultura criadora de rótulos e tendências, mas também existem as pessoas que são apaixonadas pelo tema sobrenatural como eu. Por mais que tenha lido ou assistido a livros e filmes sobre o assunto, sempre fico esperando por mais. É sempre muito gratificante saber que novidades surgem a todo momento; é  claro que existe muita coisa ruim sendo feita e  acredito sinceramente que a minha história não se inclui nesse meio.

Continuando a questão anterior, como se diferenciar neste mercado?
Evandro - Acho que não é segredo nem complicado, o problema consiste exatamente no termo usado “mercado”, como tudo é baseado em termos de retorno financeiro, é natural que fórmulas que deram certo sejam reaproveitadas à exaustão. Por mais que se escreva uma excelente história, isso não é garantia de publicação certa e mesmo que seja publicada não é garantia de sucesso de vendas. Creio que muitos dos novos escritores nacionais, tenham escrito seus livros usando um diferencial que torna suas histórias únicas e interessantes. Entretanto, é muito difícil ter um livro publicado, porque é preciso vencer muitas barreiras e uma delas é a do preconceito. Já li comentários sobre meu livro, em que diziam que a história seria melhor se fosse ambientada em outro país.


Como foi a construção dos protagonistas? Dennis é um garoto muito inteligente e precoce para a idade. Enquanto Valquíria apesar de ter vivido tanto, conservava uma personalidade mais infantil e imatura.
Evandro - Como falei anteriormente todas as personagens são baseadas em pessoas e fatos reais. Já recebi críticas que as personagens são muito crianças para determinadas passagens que escrevi. Mas, existem pessoas que vão ser imaturas por mais que envelheçam, outras apesar da pouca idade vão passar por experiências que a farão amadurecer mais cedo. É natural que as pessoas tendam a determinar linhas divisórias que determinam a maturidade no ser humano, entretanto essas linhas são apenas o que as pessoas gostariam que acontecessem e não representam a realidade. Já falaram sobre a cena da ”primeira vez” das personagens como algo que não acontecesse nessa idade. Entretanto, existem exemplos de sobra para confirmar que a sexualidade no ser humano não acontece apenas na maturidade. Cada um de nós é testemunha que a sexualidade acontece desde muito cedo, é claro que de uma forma ingênua, pois a maldade está na mente  dos adultos. Os meus protagonistas desde muito cedo têm que tomar conta de suas próprias vidas, é natural que decidam por conta própria quando poderão ter sua primeira vez . O que posso dizer é que nada  foi inserido gratuitamente na história.

Como foi o processo de publicação? Fale também um pouco sobre a arte da capa, estranhei um pouco a moça loira, diferente da protagonista morena.
Evandro - Como todos sabem publicar no Brasil não é uma coisa fácil. Inicialmente pensei em publicar de forma independente e não me preocupar com editoras, logo em seguida entrei em contato com a editora Dracaena e consegui  publicar de uma forma que me foi interessante.
Mas mesmo tendo o livro publicado não é possível agradar a gregos e troianos, já não me preocupo com isso como no início. Já vi pessoas reclamarem do que outras elogiaram; existem partes do livro que particularmente gostei muito, e  foram justamente as  que não agradaram algumas pessoas que classificaram como desnecessárias. Já ouvi comentários sobre como um pouco mais de atenção resolveria alguns problemas de revisão gramatical, pontuação, digitação etc..
As pessoas não sabem o quanto esse material foi revisado. Hoje como leitor, sei que é muito fácil achar erros no texto que outras pessoas escrevem, entretanto tomei consciência da dificuldade de revisar um texto quando nos mesmo escrevemos ou quando fazemos isso como um trabalho. Não Deixe o Sol Brilhar em Mim, teve várias revisões, duas feitas por profissionais, entretanto erros ridículos como um existente na página 28, primeiro parágrafo, aconteceram. Mas não foi por falta de “um pouco mais de atenção”.  Jô Soares é um experiente escritor, pois mesmo antes de escrever o “Xangô de Baker Street”, já escrevia o texto de seus programas e colunas em revistas e jornais. E mesmo tendo uma excelente equipe cuidando de seus livros, em uma entrevista, Pedro Bial falou sobre um erro de concordância encontrado na primeira página de um de seus livros que no momento me falha à memória qual foi. A capa de meu livro é outro exemplo, apesar de tomar todos os cuidados possíveis, enviando cópias das capas que eu mesmo criei anteriormente,  enviando um briefing detalhado sobre como queria que a capa ficasse, não foi possível pensar em todos os detalhes. O designer gráfico seguiu minhas instruções, mas não leu o livro e Valquíria acabou ficando loira. Mas eu gostei da capa e ninguém pode negar que ficou muito boa, por isso não quis mudar e ficou assim mesmo.  Dizem que não se deve julgar livros por suas capas, mas muitas pessoas o fazem. No caso do meu livro isso se torna um contra-senso, pois apesar de alguns alegarem que a capa é tenebrosa, não se pode dizer que a capa seja ruim. Mas as pessoas falam depois de ler, que a capa não ficou legal por que a modelo é loira.  Sim, eu também gostaria que ela tivesse os cabelos negros, mas descobri que fazer um livro impecável é praticamente impossível.

Após o lançamento de Não deixe o sol brilhar em mim, você já tem outros projetos em andamento?
Evandro - Já dei início a continuação de Não Deixe o Sol Brilhar em Mim, que a princípio pretendia não escrever.  Eu não gosto de continuações, pois é cobrado sempre do autor se superar, e isso é algo que não me agrada. Não quero escrever por obrigação, quero escrever porque gosto e por que me apraz. Quem leu meu livro, sabe que fechei a história, mesmo que não tenha sido de forma explícita, o que se sucedeu ficou sub-entendido. Acho que nem tudo precisa ser necessariamente explicado, basta direcionar a mente do leitor para o que desejamos que aconteça. Mas posso entender a inquietação das mentes inseguras, receosas de que possa acontecer exatamente o contrário do que imaginaram. Mas é assim que gosto que as coisas aconteçam, de forma não explícita. Desta vez, me deixei levar pelos apelos dos leitores e resolvi escrever uma continuação. Mas isso não faz parte do estilo que tenho em mente, existem outros projetos que gostaria de experimentar e não quero ficar preso a um determinado assunto.

Sobre a aceitação de seu primeiro livro no mercado. O retorno com os leitores está sendo o que você esperava?
Evandro - Acredito que sim, o retorno tem sido muito bom. Logo no início do ano o editor da Dracaena me informou que já foram vendidos quase 700 exemplares, como o livro foi lançado no fim de agosto/início de setembro, para quem pretendia lançar de forma independente acho que é um resultado razoável.  Outro ponto é que descobri que como autor, eu tenho muita facilidade em vender meu livro. De todos os exemplares vendidos até o momento, praticamente a metade desses exemplares foram vendidos por mim.


Um breve bate-papo:

Quando escrevo, tudo posso!
O que me inspira é a tranquilidade de onde estou.
No meu tempo livre, me dedico exclusivamente e escrever.
Estou lendo no momento a versão em português de Let The Right One In
Meu livro de cabeceira é Dom Casmurro que já li mais de 30 vezes
Sou fã de Poe, Lovecraft, Lefanu, King, Machado de Assís, Luiz Fernando Verissímo.
Não gosto de que tentem me controlar.
Meu maior sonho é poder escrever em tempo integral
Não viveria sem meus livros, meu computador, minhas guitarras!
Estou a procura de, muita tranquilidade.
Um livro nacional(entre os vários)que eu li(atualmente) e gostei  foi O Seminarista de Rubens Fonseca
Meu personagem preferido é Hercule Poirot
Não deixe o sol brilhar em mim é para mim um divisor de águas, o que me fez descobrir que tudo é possível.
Uma frase: É melhor ter um inimigo verdadeiro do que vários falsos amigos.

Evandro,quero agradecer novamente pela entrevista e pela oportunidade de conhecer um pouco mais sobre você e de ler Não deixe o sol brilhar em mim. Quer deixar alguma mensagem aos leitores do blog?
Gostaria de agradecer a todos pela oportunidade e pedir para que as pessoas valorizem mais os autores nacionais. Existem vários exemplos de que a literatura nacional não deixa nada a dever aos livros que vem de fora. Por que uma história passada no Brasil é menos interessante do que outra passada lá fora?  Moro fora do Brasil há 20 anos e posso dizer que nosso país pode ser um excelente palco para  excelentes histórias,  vamos valorizar mais 0 que é nosso.
Para saber tudo sobre meu livro, onde comprar  etc.. acesse:
Muito obrigado e um grande abraço.

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