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Viajando no mundo das cores

No escuro - Elizabeth Haynes

>>  quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

HAYNES, Elizabeth. No escuro. Rio de Janeiro: Editora Intrínseca, 2013. 336p. Título original: Into the darkest corner.

“Caí no chão, ao lado da escada. Ele me olhava do alto. Eu estava tão chocada que não conseguia recuperar o fôlego, apenas soluçava, tocando o rosto para ver se estava sangrando. Então ele se agachou ao meu lado e eu me encolhi, tentando recuar, achando que iria me bater de novo.
- Catherine – disse ele, mantendo a voz baixa e uma calma estarrecedora. – Não me obrigue a fazer isso de novo, entendeu? É só voltar para casa na hora, ou me avisar aonde vai. Simples assim. É para o seu próprio bem. Existem pessoas muito perigosas lá fora. Eu sou o único que toma conta de você, e você sabe disso não é? Então não dificulte as coisas para si mesma e faça o que eu digo.” p. 186

Um dos suspenses mais bem recomendados do ano passado. Adoro thrillers e estava curiosa para conhecer a autora. Com um relato assustador de um relacionamento abusivo, o livro narra a historia de uma mulher; o que ela havia sido, o que ela se tornou e seus primeiros passos para se recuperar. Confira o que achei de No escuro da Elizabeth Haynes.

Catherine Bailey já tinha perdido a conta de quantas baladas ou com quantos caras havia dormido. Ela e as amigas iam de um pub para outro até o final da noite. Ela já estava um pouco cansada de toda aquela curtição quando conheceu Lee Brightman, um cara loiro e com lindos olhos azuis, simpático, gentil e carismático. Ele era bom demais para ser verdade e queria namorar com ela, suas amigas mal acreditavam em sua sorte.

Ela leva muito, muito tempo para sair de casa. Acorda quando ainda está escuro, o problema não é o frio, nem sair da cama, se arrumar ou tomar café... embora ela venha se esquecendo cada vez mais de comer. O problema é sair de casa. A cortina tem que estar exatamente igual, senão ela não consegue entrar em casa a noite, ela verifica a porta, entre 6 e 12 vezes, volta e olha todas as janelas. Trancado, tudo trancado. Pode ter se esquecido de alguma... começa tudo de novo. Vai chegar atrasada no serviço, não importa, precisa conferir. Precisa estar segura. Nunca está segura.

Com o tempo, aquele cara lindo e carinhoso, fica cada vez mais controlador. Ela começa a se afastar dos amigos, a sair menos, faz de tudo para não aborrecê-lo. Cada vez mais sufocada, tenta terminar o relacionamento, ele a ignora. Ao pedir ajuda as amigas, descobre que todas estão contra ela. Ela é maluca, obsessiva, não é confiável. Ele é o cara perfeito, ela não sabe a sorte que tem. Ela precisa escapar.

Quatro anos já se passaram? Não parece. Tem apenas 28 anos, mas aparenta 35. Magra, cabelos grisalhos, expressão assustada. Sem amigos, sempre sozinha. Seu consciente sabe que ela está longe, segura. Seu inconsciente verifica tudo mais uma vez. Ela só faz compra em dias pares, toma chá nas mesmas horas diariamente. Seu ritual ajuda a acalmá-la, afasta as crises de pânico. Ele pode estar por perto, a espreita. Ele está sempre por perto. Não ele está longe, respire. Melhor conferir só mais uma vez antes de dormir. A tranca, as janelas, a gaveta da cozinha, as trancas, as janelas...

Stuart Richardson, seu novo vizinho, percebe os problemas e tenta se aproximar. Ela começa a enxergar a chance de uma vida normal, precisa procurar ajuda médica. Um telefonema tira Cathy dos eixos mais uma vez, ela não sabe até quando irá aguentar.

~~~~~~

Forte e assustador. Não que o leitor fique com medo de Lee, ficamos com medo da situação em que Cathy se encontra. Assustada dentro de sua própria casa, sozinha e sem ninguém para ajudá-la. Amigas que não acreditam nela, medo, medo o tempo todo. Uma situação chocante. Quem vê de fora sempre pensa, mas como a mulher deixou chegar a este ponto? Porque não denunciou, não fugiu, não foi embora?! A autora mostra que não é tão simples assim, pelo contrário.

Não sei se vocês perceberam pela resenha, mas o livro alterna passado e presente. A narrativa é em primeira pessoa, no formato de um diário. Cada página do livro é angustiante, Cathy sofre de TEPT (transtorno de estresse pós-traumático) e TOC, com muitas obsessões e compulsões. Eu nunca li algo que retratasses o TOC desta maneira, tão repetitiva e desesperadora. Normalmente esta abordagem passiva do protagonista me irrita, mas aqui é diferente. Cathy não era só uma mulher traumatizada com delírios aleatórios, tudo que aconteceu antes a conduziu até aquele momento. Seus rituais são justificáveis, depois do abuso físico e psicológico que sofreu.

Lee é assustador, mas eu não quis falar muito sobre ele na resenha. Aqui senti o mesmo que em todos livros que alternam presente e passado, você descobre as coisas cedo demais. Quando ela está no presente você não sabe o que aconteceu com o cara, ele pode estar morto/preso/a espreita. E isso é muito legal, mas logo a personagem já conta o que aconteceu com ele, prefiro livros narrados linearmente. A diferença é que a trama é forte, a autora escreve bem, e apesar de eu reclamar, o recurso funcionou.

E por outro lado, com a narrativa desta maneira, entendemos melhor como Cathy se transformou de uma mulher bonita e forte, em alguém insegura e cheia de fobias.  E a sua luta para dar a volta por cima.  O livro fala de amor doentio, abusos e problemas psiquiátricos. Fala também de amor, de força de vontade e da luta para recomeçar.

Muita gente comparou e preferiu este livro ao meu queridinho, Garota exemplar, mas não me conquistou tanto. Adorei a leitura, mas talvez pelo estilo da narrativa atrapalhar o clímax ou pelo final meio inacreditável (não comprei a mudança radical nas atitudes de Cathy) ele não tenha me arrebatado. Já a carga dramática aqui é bem maior, como um drama, achei o livro perfeito. É um livrão e vale muito a pena a leitura para os fãs de suspense, mas faltou algo para eu amar.

Indico muito a leitura, é um livro que prende o leitor até o final e que ficaria ótimo nos cinemas. Imperdível para os fãs de suspense. Leiam!

Avaliação (1 a 5):

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