O inocente - Harlan Coben

>>  segunda-feira, 31 de março de 2014

COBEN, Harlan. O inocente. São Paulo: Editora Arqueiro, 2013. 326p. Título original: The innocent.

“Nas semanas seguintes você aprende o que é amor verdadeiro. Ela lhe ensina. A certa altura, você conta a verdade sobre seu passado. Ela passa por cima disso. Vocês se casam. Ela engravida. Você está feliz. Vocês comemoram a novidade comprando celulares com câmera.
E então, um dia, você recebe uma ligação no celular e vê a mulher que conheceu há anos, naquela semana fatídica, a única mulher que amou na vida, em um quarto de hotel com outro homem.” p. 56-57

Eu sou fã do autor, adoro a forma como ele narra seus livros, alternando todos os personagens e situações. Contando a historia em vários ângulos em tempo real. Lançado originalmente em 2006, nos EUA e no Brasil pela ARX, ele ganhou uma nova edição e uma nova capa pela Arqueiro. Há muito eu queria ler, e hoje conto para vocês o que achei da trama de O inocente do Harlan Coben.

“Você não tinha intenção de matá-lo.”

Seu nome é Matt Hunter, aos 20 anos de idade ele era um adolescente modelo. Filho de uma família de classe media, amoroso, bonito, inteligente. Começando a vida adulta na faculdade. Jogando basquete, feliz. Em uma noite, todos seus sonhos caíram por terra. Seu melhor amigo entrou em uma briga boba em uma festa qualquer, ele tentou separar, enfrentou um cara que parecia estar envolvido. Os dois caíram, Matt caiu por cima. O outro cara, Stephen McGrath bateu a cabeça no meio fio e morreu. Ele foi julgado, condenado, enviado para o presídio. O pai morreu de desgosto, a família se deteriorou. Quatro anos depois Matt saí da prisão, depois de um tempo conhece a mulher de sua vida, Olivia. Nove anos se passam.

Os dois estão felizes, Olivia está grávida. Eles estão prestes a comprar uma casa no subúrbio e voltar para seu antigo bairro. Morar perto da viúva do irmão e dos dois sobrinhos. E é aí que acontece, aquilo que pode destruir sua vida uma segunda vez. Seu nome é Matt Hunter, e eu nunca disse que ele tinha sorte.

Ele recebe um vídeo enviado do celular da esposa, o vídeo mostra Olivia com uma peruca loira e com um homem, no quarto de um hotel.  Ele não sabe como agir, e estranhamente, percebe que está sendo seguido. Quando tenta investigar, as coisas se complicam. Um homem é assassinado, Matt é o principal suspeito.

Paralelamente, a policial Loren Muse começa a investigar o assassinato de uma freira, uma freira com silicone nos seios.  Em algum momento os dois acontecimentos parecem se encaixar, o passado de Matt e também de Olivia estão em evidencia.  Mais uma vez Matt ver seu mundo desmoronar, resta saber se desta vez ele conseguirá provar sua inocência.

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Acho difícil eu não gostar de algum livro do autor, Harlan Coben é dos meus autores de suspense tops, quero ler tudo dele que lançarem e etc e tal. Então normalmente os livros ficam entre os que “eu amei” e os que “eu adorei”. Este está na segunda categoria.

Primeiro temos o Matt, condenado quando não tinha intenção de fazer nenhum mal, mas mesmo assim causando a morte de um rapaz. Ele acha tudo muito injusto e, obviamente, sofre muito em quatro anos na cadeia. O livro tem alguns flashbacks, mas já começa nove anos após o Matt sair da prisão. Eu logo gostei do protagonista, ele tem um jeito meio derrotista e um pouco pessimista em relação a tudo, mas coitado, passou por poucas e boas quando seus planos eram cursar advocacia e abrir um escritório com o irmão mais velho que ele idolatrava. Atualmente ele nunca esteve tão feliz, com a esposa que ele ama grávida e tal, até que tudo muda. O desespero inicial de Matt é de dar pena. E é triste também a forma como o estigma de ex presidiário irá marcá-lo para sempre, a dificuldade de conseguir emprego, de conhecer alguém legal, de não ser julgado por onde passa. 

A leitura voa, eu devoro cada página e fico sempre ansiosa para saber como ele vai fechar a trama. O autor tem certa fórmula que já me acostumei, do suspense, de alguém inocente correndo o risco de levar a culpa e se ferrar, uma conspiração enorme ou algo assim. Mas não acho os livros repetitivos; no final eu sempre me surpreendo. Eu gosto muito da narrativa em terceira pessoa, da forma como ele alterna os personagens.

Sei lá porque não me apeguei muito a Olivia e não torci muito pelo casal em si. Mas eu gostei muito do Matt e queria muito que ele conseguisse sair por cima depois de tudo. A personagem que realmente me chamou a atenção foi a Loren Muse. Aqui ela é uma policial novata e eu fiquei o livro todo com a impressão que já a conhecia. E conhecia mesmo, Loren é a investigadora chefe em Confie em mim (Hold Tight, 2008) e o engraçado é que neste livro ela é uma policial novata, baixinha e magrinha, sofrendo com o preconceito dos seus colegas homens e a condescendência com o que normalmente é tratada. Fiquei até com vontade de reler Confie em mim, dessa vez prestando mais atenção aos detalhes sobre a personagem, neste livro Lore estava tão sozinha e perdida. Pesquisando, descobri que a Lore aparece também em Promise me (2007 nos EUA, outro que saiu aqui pela ARX como A promessa, mas é o oitavo da série Myron Bolitar, então vou demorar para ler) e The Woods (2007 nos EUA, Silêncio na floresta pela ARX em 2009).

Como sempre uma ótima leitura, recheada de cenas surpreendentes e muitos mistérios. Acho que só não ficou entre meus preferidos do autor porque eu deduzi muito do que iria acontecer. Mas adorei a leitura e como sempre, indico todos os livros do autor para os fãs de thrillers de suspense. Leiam!

Avaliação (1 a 5):

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