A ponte de Haven - Francine Rivers

>>  quarta-feira, 25 de janeiro de 2017


RIVERS, Francine. A ponte de Haven. São Paulo: Editora Verus, 2015. 432p. Título original: Bridge to Haven.

“- Meu Deus... – Um bebê estava ali, tão imóvel, tão pequeno, tão pálido que ele se perguntou se seria tarde demais. Uma menina. Zeke desligou as mãos sob ela, que não pesava quase nada. Quando a ergueu, os bracinhos da criança se abriram como os de uma avezinha tentando voar e ela soltou um choro trêmulo.” p.11

Conheci a autora com um dos meus livros favoritos de 2015, Amor de redenção, e desde então queria ler outros livros dela. Seus romances cristãos são envolventes, com personagens muito humanos e um enredo que prende o leitor do início ao fim. Hoje vou falar de A ponte de Haven da Francine Rivers.

Haven, 1936
Em uma madrugada fria, o pastor Ezekiel Freeman caminhava e rezava. Por algum motivo, seu instinto o levou até a ponte da cidade, onde encontrou um bebê recém-nascido. Ele deu a ela o nome de Abra, e apesar de seus protestos, sua esposa insistiu em adotá-la. Zeke tinha muito medo disso, o casal sonhava em ter outro filho, mas sua esposa tinha um sério problema cardíaco e não podia se esforçar muito. O filho de cinco anos do casal, Joshua, fica encantado com a novidade.

Dezesseis anos se passam. Abra se tornou uma moça linda, uma ruiva com uma beleza exótica. Muita coisa aconteceu durante seu crescimento e ela foi mudando, se fechando e ficando cheia de incertezas e muito rancor. Até o dia em que se encanta por um belo rapaz, Dylan Stark, e toma uma atitude impensada.  

Hollywood, década de 50
Lena Scott é uma estrela em ascensão em Hollywood. Sua beleza devastadora encanta a todos, está prestes a se tornar tão famosa quanto Marilyn Monroe. Mas poucos sabem que seu verdadeiro nome é Abra, e tudo o que ela sofreu para chegar até ali.

Ela nunca quis nada disso, mas a necessidade de ser amada a levou por um logo e doloroso caminho. Não quer mais ser Lena, quer ser Abra e ter liberdade de escolha. Porém, seu orgulho não permite que ela reconheça seus erros e volte para casa. Acredita que todos do seu passado a odeiam ou se esqueceram dela, não imagina que algumas dessas pessoas, a amam incondicionalmente.

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Não roubou o lugar de Amor de redenção no meu coração, mas é um romance lindo e que abala o coração do leitor. A história da filha pródiga é contada de forma emocionante e muito tocante. Romance, enredo e personagens excelentes, tinha tudo para ser outro favorito. Porém, acho que a autora exagerou na abordagem cristã da obra. Quem é religioso eu acredito que irá amar, mas eu que não sou, senti que ficou forçado em alguns momentos. Todas as atitudes eram centradas no poder de Deus e do mal, e os trechos citando a Bíblia ou algo que pastor Zeke dizia, muito repetitivos. Não deixa de ter citações lindas, me emocionei em diversos momentos, só achei que poderia ser mais enxuto nesse quesito.

Abra é uma personagem tocante, muito humana, cheia de imperfeições. Você se apega a Abra criança e depois, ainda que ela tenha feito muitas burrices, em nenhum momento eu deixei de torcer por ela, para que tudo desse certo. A menina foi abandonada no dia do nascimento pela mãe, depois foi adotada pelo pastor e sua esposa, e aí aconteceram muitas coisas que fizeram com que ela crescesse se sentindo rejeitada. Ela era inocente quando fugiu com Dylan e mesmo que eu ficasse irritada com a burrice toda de adolescente, dava para entender que ela não tinha conhecimento suficiente para tomar uma decisão sábia naquele momento. Depois disso é rolando morro abaixo, coitada, come o pão que o diabo amassou mesmo.

Do outro lado temos o pastor Zeke, um personagem muito amado. Ele cuida de todos da cidade e sempre teve o coração aberto para aceitar e perdoar. Incrível como ele não julga Abra ou outras pessoas, como ele aceita o que Deus mandou e reza para que tudo dê certo. Sem dúvida o melhor personagem do livro.

E Joshua, ahhh que personagem lindo. Ele cresceu ao lado de Abra, primeiro como irmão, depois como amigo, mas eles se afastaram muito. Como ele é mais velho, se apaixonou por ela quando ela era ainda adolescente. Mas esperou, sabia que ela não estava pronta para vê-lo de outra forma que não seu melhor amigo. E aí quando ela vai embora, e depois de tudo o que ele passou servindo como soltado, Joshua tenta seguir os caminhos do pai, e esperar para alcançar sua felicidade. Ele é paciente, ama Abra de todo o coração e não julga suas atitudes. Tem uma cena onde eu queria que tudo desse certo logo, e Joshua lá, naquela paciência infinita.

É um romance lindo e emocionante, algumas cenas fizeram meus olhos marejarem, a parte final é perfeita, pena eu não poder contar mais rs. Para quem curte um romance mais maduro e com abordagem religiosa, essa autora é incrível. Leiam!

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