O duque que eu conquistei - Scarlett Peckham

>>  segunda-feira, 2 de agosto de 2021

PECKHAM, Scarlett. O duque que eu conquistei. São Paulo: Editora Arqueiro, 2020. 288p. (Segredos de Charlotte Street, v.1). Título original: The duke I tempted.

"E, enquanto se distanciava do marido, foi como se ela tivesse dois corações, como tinha duas pernas, duas mãos, dos pés.
Dois corações - e um estava partido.
Um o odiava por ir até aquele lugar, por traí-la, por mostrar a outra mulher um lado que ela, sua esposa, implorara que ele lhe revelasse. Uma verdade que ele não havia lhe confiado, mesmo diante da possibilidade de perdê-la. 
Mas o outro...
como desejava." p. 244

E para os amantes de romance de época tem uma autora nova por aqui, a americana Scarlett Peckham. Confiram o que achei do trabalho da autora com o primeiro volume da trilogia Segredos de Charlotte Street com O duque que eu conquistei.

Archer Stonewell, duque de Westmead, é uma figura sombria e misteriosa no cenário londrino. Ele conseguiu superar a ruína da família, arruinada por seu pai sem caráter. Restaurou as terras, a honra do título e a fortuna da família. Sacrificou tudo que tinha para isso, e agora precisaria fazer um último sacrifício. Se casar e gerar um herdeiro, para dar continuidade ao título sem deixar que ele vá parar nas mãos de um primo de caráter duvidoso. Ele só tem a irmã, Constance, uma beldade que gasta fortunas e se diverte no cenário de Londres e de Paris. 

Mas para isso, Archer precisa conseguir a esposa certa. Alguém que não faça perguntas, alguém que fique feliz com o título de duquesa, sua enorme fortuna e um casamento de aparências. Seu coração está fechado para sempre, e além disso, ele tem um lado sombrio que não deseja abrir mão, algo que ele precisa para respirar. E só um lugar secreto na Rua Charlotte Street pode realizar seus desejos mais escusos.   Ele então, pede que a irmã organize um grande baile e convide as moças certas. 

Poppy Cavendish é neta de um visconde, mas foi criada por um tio após perder os pais ainda criança. Agora, já adulta, seu tio veio a falecer e Poppy está desesperada. Um primo distante herdará tudo, mas ela precisa de recursos para transferir seus negócios para a casa que herdou do tio. Isso mesmo, seus negócios. Poppy é uma botânica apaixonada por flores raras, que sempre lutou contra as convenções sociais para manter a própria independência. Ela nunca teve planos de se casar, e deixar que algum homem tenha controle de tudo o que lhe pertence.

Ela tem uma rede de correspondentes, importa plantas diferentes de vários lugares e tem uma belíssima coleção. Desesperada para conseguir o dinheiro necessário para transferir todo o seu horto, ela acaba aceitando a tarefa hercúlea de decorar a mansão do duque para um baile. Apesar de não gostar da ideia, com recursos ilimitados, sua decoração pode colocar seu nome na boca dos aristocratas londrinos.   

Ela só não esperava ficar tão atraída por Archer, ainda por cima, um duque. E ele sabe que Poppy não é adequada para os seus planos, ela é atraente demais, interessante demais. 

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Esse é o livro de estreia da autora (publicado originalmente em 2018) e eu já amei o estilo dela! O enredo é bom, forte, tem pegada. Os protagonistas têm personalidade, são interessantes e gostei da química entre os dois. A autora traz algo diferente e pouco comum no gênero, uma pegada BDSM (Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo) que me interessou e também me incomodou um pouco. 

Falando inicialmente sobre os personagens, eu adorei o casal. Principalmente por Poppy, uma mulher inteligente, decidida, perseverante e resiliente. Uma mulher que tem um sonho e faz de tudo para conquistá-lo. Uma mulher com uma carreira, em uma época em que isso era praticamente proibido, principalmente para as mulheres de classe social mais alta. Poppy luta com unhas e dentes pelo que quer, mesmo quando coloca seu coração em risco. Archer é lindo e inacessível, tem uma pegada "Cristian Grey" inegável com sua riqueza e mistério. Os dois juntos têm muita química. E apesar da parte sexual se desenvolver rápido, o romance em si demora a acontecer, já que ambos tratam tudo como um acordo de negócios. 

Gostei dos coadjuvantes, principalmente de Constance, que trás um pouco de leveza para o livro. Outros personagens foram pouco desenvolvidos e jogados no livro, como Tom Raridan, um homem que é obcecado por Poppy, sem muita explicação do porquê de tudo isso. A prima de Archer também, mãe do afilhado dele, não ganha muito desenvolvimento.  

Já Archer tem um lado negro pesado e sofrido. Ele sofreu muito no passado e sua grande perda, levou ao que ele é hoje. Um homem firme, decidido, mas que fechou o coração e nunca sorri. Archer usa a punição como forma de alívio. Ele muitas vezes parece perto de surtar, e só o que acontece na casa secreta da rua Charlotte Street consegue aliviar. Ele encontra prazer na dor e na submissão. E isso, foi o que perdeu pontos comigo no final...

Não pelo BDSM em si, apesar de ser incomum naquela época. Mas pela forma como a autora desenvolveu isso no final. Archer se castigava, como forma de punição pelo que aconteceu no passado. Uma culpa que ele nunca superou. Achei que a autora tratou isso com uma certa leviandade. No começo eu curti, o lado sombrio, Poppy um pouco assustada e um pouco excitada com o pouco que sabia sobre o assunto. Mas no final, ao invés disso ser explorado, ela simplesmente trata como algo comum. [ALERTA DE SPOILEER] Poppy simplesmente aprende do que ele gosta, compra uns chicotes e tal, e é isso. Vai fazer com ele o que ele fazia lá naquele lugar, chicotear o marido até ele se saciar sexualmente [FIM DO SPOILER]. Pode ser apenas uma questão de gosto, eu sou muito careta para tudo isso, confesso, mas eu achei a abordagem muito simplória para algo que era uma trauma psicológico.  

Gostei da narrativa, do enredo e sigo curiosa para ler os próximos da série! Para quem ainda não conhece a autora, vale a pena conhecer. Leiam! 

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Trilogia Segredos de Charlotte Street:
  1. O duque que eu conquistei (The duke I tempted)
  2. O conde que eu arruinei (The earl I ruined)
  3. O lorde que eu abandonei (The lord I left)
2.5  The Christmas I ruined

Avaliação (1 a 5): 3.5

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