As Vantagens de Ser Invisível - Stephen Chbosky

>>  segunda-feira, 13 de abril de 2026

CHBOSKY, Stephen. As Vantagens de Ser Invisível. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2007. 224p. Título original: The Perks of Being a Wallflower.

"Só queria que Deus, ou meus pais, ou minha irmã, ou alguém, me dissesse o que há de errado comigo. Que me dissesse como ser diferente de uma forma que faça sentido. Que fizesse tudo isso passar.  E desaparecer. Sei que é errado porque a responsabilidade é minha, e sei que as coisas pioram antes de melhorar porque é o que diz meu psiquiatra, mas essa fase pior está grande demais para mim." p. 149

Este é um dos livros mais antigos na estante e que vai para a lista do "Por que eu não li antes?"! Uma história rica, comovente e com uma narrativa muito sensível e empática. Confiram o que achei do jovem adulto, As Vantagens de Ser Invisível do Stephen Chbosky!

Charlie, um adolescente de 15 anos que começa o primeiro ano do ensino médio ainda lidando com traumas do passado e a recente perda de um amigo e vizinho. Um jovem como ele que tirou a própria vida, e Charlie não consegue entender o motivo. Charlie é o filho mais novo entre três irmãos, seus pais são ótimos, ele os ama, sua irmã é apenas dois anos mais velha e está naquela fase em que evita o irmão mais novo sempre que pode. Seu irmão mais velho, o mais legal, está na faculdade jogando futebol. Quando ainda era criança Charlie perdeu uma tia, Helen, irmã de sua mãe. E até hoje fica arrasado com o acidente, e se sente um pouco culpado, porque a Tia Helen tinha saído para comprar seu presente de aniversário. 

Introvertido, sensível e bastante observador, Charlie sente que muitas vezes é “invisível” aos olhos dos outros — até que ele conhece Sam e Patrick, dois meio-irmãos, que estão no último ano do ensino médio e o acolhem como parte do grupo. Eles o apresentam a um novo grupo de amigos e a um mundo de amizade, festas, dança, música e descobertas. Ele logo se apaixona por Sam, mas ela pede que ele não a veja assim, mas sim como uma amiga querida. E ele tenta com todas as forças não vê-la assim...

Ao longo do ano, Charlie faz novas amizades, apaixona-se, lê livros que o transformam e começa a confrontar experiências dolorosas de sua família e de si mesmo. Ele também se mete em algumas enrascadas, começa a fumar, ajuda a irmã em um momento de grande dificuldade e arruma uma namorada.  Ele conta tudo isso através de cartas endereçadas a um destinatário anônimo, assim acompanhamos suas tentativas de entender quem ele é, como amar e como sobreviver à turbulência da adolescência.

"-Charlie, a gente aceita o amor que acha que merece." p.35

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Eu ando com um pé atrás com livros voltados ao público jovem, meio que venho achando tudo igual e enjoei um pouco da narrativa e dramas mais simples. Mas acho que realmente é uma questão de narrativa, porque este livro é lindo! É tão bem escrito, tão bem desenvolvido, uma história que prende do início ao fim. A narrativa é toda epistolar e o autor consegue escrever as cartas de uma forma tão interessante, que não se perde nada na construção da história.

Adorei Charlie, um jovem tão sensível e tão inteligente. Eu achei que o motivo da sua depressão e de seus outros problemas de como se "encaixar" e de como "participar das coisas" estavam ligados a sua sensibilidade aflorada e ao seu sofrimento com a perda da tia. Só no final a gente  descobre tudo pelo qual ele passou e como me emocionei nesta parte. Chorei lendo as últimas cartas e adorei como tudo foi narrado. 

A escolha da narrativa em forma de cartas cria uma proximidade rara entre leitor e protagonista, fazendo com que seus pensamentos, medos e descobertas sejam sentidos quase como uma confidência pessoal. Essa estrutura reforça a sensação de que estamos acompanhando alguém real, em um momento frágil e decisivo da vida. E o fato do livro não contar para quem Charlie está escrevendo é muito interessante, será que ele escreve para nós, os leitores? Ou é apenas um espaço seguro, para que ele possa desabafar com alguém inexistente ou desconhecido? Fica a dúvida e uma certa curiosidade sobre isso, algo que com certeza o autor fez de forma intencional. Ele escreve porque falar diretamente é difícil, então a escrita vira um modo de organizar sentimentos, lidar com traumas e se conectar com o mundo. 

O livro aborda temas profundos como amizade, sexualidade, abuso e saúde mental com delicadeza e empatia, sem suavizar demais as dores envolvidas. Stephen Chbosky consegue tratar assuntos difíceis sem sensacionalismo, de forma muito emotiva. Charlie nem sempre compreende totalmente o que vive, e essa ingenuidade torna sua perspectiva ainda mais interessante. 

Os personagens secundários, especialmente Sam e Patrick, têm grande importância na narrativa, não apenas como apoio para Charlie, mas como figuras complexas, com conflitos próprios. A amizade entre eles mostra como relações verdadeiras podem ser transformadoras, oferecendo acolhimento, pertencimento e coragem para enfrentar o passado. As referências musicais e literárias também contribuem para criar uma atmosfera nostálgica e emocionalmente rica, eu adorei as referências literárias e a forma como alguns livros tinham ligação com o momento que Charlie vivia.

Eu confesso que até hoje não assisti, sempre gosto de ler antes. Mas o livro foi adaptado para o cinema em 2012, com Logan Lerman, Emma Watson (a querida Hermione) e Ezra Miller no elenco. Agora finalmente vou poder assistir!

Mais do que uma história sobre adolescência, o livro é um retrato sensível da busca por identidade e aceitação. Um livro indicado ao público jovem, mas também aos leitores em geral, eu adorei e indico muito, leiam!

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