O tempo entre costuras - Maria Dueñas

>>  quarta-feira, 9 de setembro de 2020

DUEÑAS, Maria. O tempo entre costuras. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2017. 474 p. Título original: El tiempo entre costuras.

Um dia desses, enquanto escrevia a resenha de Os segredos que guardamos, me lembrei de um livro do mesmo estilo cuja história se tornou favorita da vida: O tempo entre costuras. Então comecei a me lembrar também de como conheci o livro e de como ele se tornou um favorito da vida. Enquanto me lembrava disso, me dei conta de que a gente vive recebendo indicações de livros de todos os tipos e gêneros, não é mesmo? São tantas que, por vezes, acontece aquele velho “entra por um ouvido e sai pelo outro”. A história de como conheci o livro foi mais ou menos assim: quando fiz a tatuagem que tenho no braço esquerdo em homenagem à minha mãe, que é costureira, uma amiga minha, quando a viu, disse: “Tem um livro maravilhoso sobre uma costureira que tem a ver com a guerra espanhola, você precisa ler! É sensacional! Não é possível que uma pessoa que tenha uma tatuagem de máquina de costura não leia esse livro”. Desde então, não só a frase não saiu da minha cabeça, como a vontade de ler o livro também não! Não via a hora de conseguir uma oportunidade de lê-lo. E eis que ela surgiu, reluzente e bela, nas férias de janeiro de 2020 (parece que foi em outra vida!). E depois dessa introdução que mais parece uma novela, deixo com vocês a minha experiência de leitura.



Sira Quiroga é uma jovem que vive com a mãe e, com ela, aprendeu, desde muito nova, o ofício de costureira. As duas trabalham juntas ganhando a vida assim. Sira é uma costureira muito talentosa. 

Anos mais tarde, por causa da Guerra Civil Espanhola, ambas perdem o emprego em um ateliê onde trabalhavam, e Sira recebe de seu noivo, Ignácio, a sugestão de tentar a vida como servidora pública. Mas, para isso, ela precisa aprender a datilografar.

Acontece que, ao ir à loja para comprá-la, Sira se interessa mais do que pela máquina de datilografia. Ela se apaixona perdidamente pelo vendedor da loja, Ramiro, e deixa toda a sua vida, família e relacionamento para trás, mudando-se com ele para o Marrocos para viver esse grande amor.

Contudo, a vida junto de Ramiro nesse novo lugar não se mostra bem o que Sira esperava, e uma série de acontecimentos se desenrola, virando a vida da moça de cabeça para baixo. Ela chega até mesmo a se envolver com a polícia por algo que não fez.

Sira terá, então, que lutar para reconstruir a vida, escapar da polícia, nem que para isso seja necessário se envolver em casos obscuros e escusos relacionados à guerra.


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Este foi meu primeiro contato com livros da Maria Dueñas. Não fazia ideia do que esperar, mas suspeitava que seria, no mínimo, interessante a experiência.

Narrada por Sira, a história me conquistou em poucas páginas e me vi envolvida de uma forma que não conseguia parar mais. A escrita da autora não é corrida, mas não é morosa. É descritiva na medida certa e intensa em uma dose que só quem ler vai entender. Não achei nada excessivo no livro, mas também não consigo encontrar nada que tenha faltado.

Torci por Sira o tempo todo e fiquei muito angustiada com tudo o que ela passou. A cada nova tarefa que lhe era passada, eu torcia para que a missão fosse bem-sucedida e várias vezes me peguei prendendo o fôlego até que tudo terminasse e eu tivesse a certeza que tinha corrido bem.

Adorei a mãe da Sira e alguns dos personagens secundários, principalmente Candelaria e Jamila.

Não sei se tive mais raiva de Ignácio ou de Ramiro, embora entenda que as razões para Ignácio ser um cretino sejam muito mais plausíveis que as de Ramiro.

Mas nenhum dos dois chega aos pés de Marcus, um senhor Top Piriguetagem 2020 (pra quem não tinha nenhum candidato em mente para a lista, a minha até que está tomando uma forma, rs!). Torci tanto por ele quanto por Sira, e quando a história deixava que eu shippasse os dois, assim o fiz, com todas as minhas forças de leitora!

O mais interessante da história é o seu contexto histórico, que, como vocês já sabem, já me ganha de cara, só por envolver assuntos que existiram na história tanto do Brasil quanto do mundo em algum momento. Assim como em Os segredos que guardamos, que curti pelo fato de falar sobre a Guerra Fria, assunto que eu não conhecia muito bem, no caso de O tempo entre costuras o contexto histórico é a Guerra Civil Espanhola, de que muito pouco ouvi falar ao longo da vida de estudante, de modo que adorei poder saber mais a respeito, ainda que pelos olhos de uma personagem ficcional. Contudo, há também personagens que existiram na realidade, e foi muito legal ver essas figuras históricas inseridas no contexto do livro.

Só de ver a bibliografia que consta no final da edição, dá para perceber o quanto a autora pesquisou para escrever a história. Dá vontade de sair lendo tudo para conhecer mais a fundo sobre a Guerra Civil Espanhola, o fascismo, o franquismo, o nazismo, etc.

E no fim das contas, com todos esses elementos e um final à altura de todo o resto da história, não tinha como não se tornar um favorito da vida!

Se você ficou curioso pela história, indico não apenas o livro, como a série de TV também! Isso mesmo! O livro foi adaptado e a série está disponível na Netflix. Ela é de 2013, então não se assustem ao pesquisar na plataforma de streaming: a que vocês encontrarem, é ela mesma! A série tem apenas uma temporada,  e mais fiel ao livro do que ela é muito difícil de encontrar por aí! Ah, preciso chamar atenção para o cenário e o figurino: os ateliês e as roupas que a Sira usa! Dá vontade de copiar todos os modelitos, rs!

Deixo o trailer aqui para quem tiver interesse!


E o que fica de lição, depois que li esse livro sensacional que entrou para a lista de favoritos? Quando uma amiga te indica um livro, você deve parar para lê-lo! 


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