A família perfeita - Lisa Jewell
>> segunda-feira, 2 de março de 2026
JEWELL, Lisa. A família perfeita. Rio de Janeiro: Editora Intrínseca, 2022. 400p. (The Family Upstairs, v.1). Título original: The Family Upstairs.
"-Todos os homens são fracos - disse Phin. - É exatamente esse o problema do mundo. Fracos demais para amar de verdade. Fracos demais para estar errados.
Fiquei sem fôlego com a potência daquela frase. Imediatamente soube que era a coisa mais verdadeira que já tinha ouvido. A fraqueza dos homens é a raiz de tudo de ruim que já aconteceu." p. 168
Este é o primeiro livro que leio da autora Londrina, Lisa Jewell. Sou leitora assídua de thrillers e hoje conto para vocês o que achei de A família perfeita.
Libby Jones acaba de completar 25 anos e está ansiosa para descobrir respostas sobre as suas origens. Ela recebe uma carta de um escritório de advocacia sobre uma herança deixada por seus pais biológicos. Uma herança que ela só teria direito ao atingir essa idade. Libby herda uma grande casa em Chelsea, uma casa onde ela fora encontrada sozinha ainda bebê, dormindo em um berço. Todos os outros moradores da casa estavam mortos, ou desaparecidos.
Chelsea, 1988
Martina e Henry Lamb eram ricos, casados e tinham 2 filhos. O mais velho, Henry, tinha 11 anos e sua irmã mais nova era ainda uma criança quando tudo começou a mudar. Seu pai nunca trabalhou na vida, herdou a fortuna do pai e se preocupou apenas em gastar o dinheiro, até que o dinheiro começou a acabar. Isso, juntamente com a chegada de todas aquelas pessoas mudou tudo.
A primeira foi Birdie Dunlop-Evers, ela cantava em uma banda junto com o namorado, Justin. Eles gravaram um clipe musical na casa, algo que os pais acharam incrível. E depois pediram para ficar lá "por algum tempo", enquanto não conseguiam algo definitivo. Eles se mudaram para um quarto na ala dos empregados. Birdie era uma mulher estranha e manipuladora na visão de Henry. Logo depois o pai teve um AVC e Birdie convenceu a mãe a contratar uma pessoa incrível para ser seu fisioterapeuta.
David Thomsen se muda com a família para a casa "só por alguns dias", mas Henry logo percebe que aquelas pessoas nunca iriam embora. Sua esposa, Sally, iria dar aula para as crianças em casa. Eles também tinham dois filhos, Phineas, mais conhecido como Phin, um pouco mais velho do que Henry e uma garota mais nova, Clemency.
Aos poucos tudo começou a mudar, eles foram dominando a vida dos pais, as regras, a casa. Henry sabia que tudo iria terminar mal, só não tinha ideia do quanto.
Londres, no presente
Libby se depara com uma reportagem antiga no jornal "Socialite e marido mortos em pacto suicida. Filhos adolescentes estão desaparecidos; bebê foi encontrado vivo." Ela era o bebê, mas o que aconteceu com seus dois irmãos? Eles nunca vieram reivindicar a herança ao completarem 25 anos, ninguém nunca descobriu o que aconteceu com eles.
Lucy mora na França com os dois filhos, Marco e Stella. Duas crianças lindas, que no momento não têm onde dormir, o que comer ou onde morar. Ela largou o marido abusivo e tocava violino para se sustentar, a situação nunca esteve tão ruim. Até que Lucy recebe uma mensagem no celular: "O bebê tem 25 anos". E sabe que precisa de dinheiro e de documentos para voltar à Inglaterra.
A casa deve valer alguns milhões após a venda, mas Lucy está mais interessada em descobrir suas origens e o que aconteceu no passado. Ela entra em contato com um repórter que cobriu a matéria na época, e juntos eles começam a investigar.
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Não foi um thriller que tenha me conquistado, achei os mistérios fracos e tudo muito dedutível. Por outro lado, eu gostei muito dos personagens, da construção da história e da narrativa da autora. Então terminei com um saldo positivo e com vontade de conhecer outros trabalhos dela. Apenas acho que o enredo aqui seria mais um drama do que um thriller.
Eu adorei as protagonistas, Libby e Lucy. Duas mulheres corajosas, que fazem o possível para sobreviver e construir uma vida boa com tudo o que passaram. Libby foi adotada por uma boa família, mas o pai morreu muito novo e a mãe era muito desligada e pouco confiável. Desde cedo ela aprendeu a ser organizada, a planejar um futuro e se dedicar para alcançar seus sonhos. Hoje, aos 25 anos, ela trabalha com a venda de cozinhas planejadas e sonha em ter uma casa, um homem ideal e construir uma família. Lucy jogou com as cartas que a vida lhe deu. Morava na França, tocava violino para se sustentar e acabou sozinha, sem dinheiro, com dois filhos e um cachorro. Sem ter onde morar, sem ter onde tomar banho e nem como alimentar as crianças. Mas ela precisa de dinheiro com urgência, para voltar à Londres.
Já Henry e os outros personagens não despertam esta empatia, mas fiquei curiosa para saber o que aconteceu com todos eles. Henry era uma criança muito esquisita, mas também muito inteligente e observadora, e é quem narra toda a parte do passado.
Desde o início o leitor imagina que Lucy é a criança do passado, a irmã mais nova de Henry. E que Libby é irmã deles, ou quem sabe, filha de Lucy. O mistério todo gira em torno de saber o que aconteceu no passado, e como os pais de Henry e mais uma pessoa terminaram mortos na casa. E os outros que sumiram, estavam vivos? Falta algo para ser um thriller forte, porque tudo é muito dedutível e a história do passado é lenta, acaba deixando o livro um pouco entediante lá pela metade.
A novidade é que tem uma continuação, ainda não foi lançada no Brasil, mas fiquei curiosa para ler. O livro termina com tudo explicado, mas deixa realmente uma ponta para uma continuação. Como eu disse, a história é bem pesada e para mim o livro seria mais um drama com uma dose de suspense do que um thriller. Faltou algo para surpreender e um final impactante. Não gostei muito também do título nacional, o título original combina mais com o enredo.
[ALERTA DE SPOILERS] Lá pela metade do livro já dá para deduzir que Libby era na verdade filha de Lucy com David, que engravidou uma criança de apenas 14 anos. Mesmo ela afirmando na época, que tudo tinha sido consensual, eles já viviam em uma espécie de seita, obedecendo cegamente tudo o que David ordenava. Sally vai embora da casa depois que descobre que David tinha um caso com Birdie. Ela não consegue levar os filhos, que ficam vivendo naquele caos. Justin, namorado de Birdie, acaba também indo embora, mas ensina a Henry tudo sobre as plantas que ele cultivava no jardim. No final, para fugirem, Henry tenta dopar os adultos com beladona para levarem o bebê. Mas a dose acaba sendo fatal (não fica tão claro se realmente foi um acidente), e seus pais e David morrem. Birdie é morta quando tenta pegar o bebê de volta. Phin estava muito doente, Lucy consegue que o médico da família cuide dele, e depois eles fogem para a França (só no final, se descobre que Libby era filha de Lucy com Phin, e não com David). Henry foge com o dinheiro que encontrou na casa e desaparece. Clemency consegue fugir e encontrar a mãe. No final Libby reencontra Henry, seu tio, e a mãe Lucy com seus meio irmãos, eles vendem a casa e ganham muito dinheiro. Ela quer ir atrás do pai, Phin, que foi localizado morando na África. Henry sempre foi apaixonado por Phin, e quer ir também, o motivo é meio desconhecido, mas não espero nada de muito bom de Henry. [FIM DOS SPOILERS].
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Série The family upstairs
- A família perfeita (The family upstairs)
- The family Remains (ainda não lançado no Brasil)
Avaliação (1 a 5): 3.5






