A casa torta - Agatha Christie
>> terça-feira, 7 de julho de 2026
CHRISTIE, Agatha. A casa torta. Rio de Janeiro: Editora HarperCollins Brasil, 2024. 222p. Título original: Crooked House.
"Sim, pensei, todos queríamos prova de que Mrs. Leonides havia envenenado o marido. Sophia queria, eu queria e os Inspetor-chefe Taverner queria.
Então tudo ficaria bem!
Contudo, Sophia não tinha certeza, eu não tinha certeza e também não acho que o Inspetor-chefe Taverner tinha certeza." p.25
Chegamos ao 55º livro do Projeto Agatha Christie e as resenhas dos livros anteriores, você encontra AQUI. Neste mês temos um livro independente, sem nenhum dos detetives recorrentes, e uma das histórias favoritas da própria autora. Confiram o que achei de A casa torta!
Sophia Leonides e Charles Hayward se conheceram no Egito no final da Segunda Guerra Mundial. Ela trabalhava no Ministério de Relações Exteriores com um cargo alto e ele estava partindo para o Leste Europeu, quando percebeu que a amava. Na época ela tinha apenas 22 anos, ele se declara e revela a intenção de pedí-la em casamento quando voltassem a se encontrar, já na Inglaterra.
Dois anos se passam até que eles se reencontrem. Charles era filho do chefe de polícia e logo ao chegar à Inglaterra fica sabendo sobre a morte de Aristide Leonides, avô de Sophia. Um grego muito rico já com seus 88 anos... o problema é que a morte era suspeita. Charles, aconselhado pelo pai, parte para Swinly Dean em companhia da polícia, e começa a ajudar na investigação.
A polícia logo descobre que Aristide foi assassinado após receber uma dose fatal de um medicamento adulterado. A principal suspeita recai sobre sua jovem esposa Brenda, de apenas 24 anos, mas logo fica claro que qualquer integrante da família poderia ter motivos para desejar sua morte. Sophia precisa descobrir a verdade, antes de aceitar se casar com ele, afinal, qualquer membro da sua família pode ter matado seu avô.
É então que Charles se envolve na vida familiar da futura noiva e conhece todos os peculiares moradores da mansão, conhecida como "A Casa Torta". Nela vivem a tia avó de Sophia, Edith de Haviland, irmã da falecida esposa do patriarca; os pais da moça, Philip Leonides, e Magda Leonides, um intelectual frustrado e uma atriz dramática; seu tio mais novo, Roger Leonides e a esposa, Clemency, ele gerencia uma das empresas mais antigas do pai, e ela é uma cientista racional e reservada; seus dois irmãos mais novos, Eustace e Josephine, ele um jovem marcado por uma doença que o deixou com um problema de locomoção e ela uma menina extremamente inteligente, observadora e curiosa, sempre interessada nos segredos da família, além de alguns poucos empregados.
Conforme Charles mergulha na dinâmica dos Leonides, descobre uma família marcada por ressentimentos, manipulações e segredos antigos, em que cada personagem parece esconder algo.
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Adorei esse! Depois de ler mais de 50 livros da autora, alguns a gente já começa a achar mais fraco ou "mais do mesmo". Esse realmente se diferencia, tanto na narrativa quanto nos personagens interessantes. A Casa Torta foge um pouco da estrutura clássica dos livros protagonizados por Poirot ou Miss Marple e aposta em uma atmosfera familiar. O destaque do livro está no estudo do psicológico dos personagens e na tensão familiar que cresce a cada capítulo com a sombra do "quem matou" vivendo entre eles.
A narrativa é envolvente, naquele estilo característico da nossa Rainha do Crime, que transforma conversas aparentemente simples em pistas fundamentais. Como sempre, ela brinca com o leitor, fazendo com que as suspeitas mudem constantemente. Eu passei o livro todo apostando em uma pessoa e adorei ser surpreendida no final.
Os personagens são todos muito interessantes. Brenda, a jovem esposa, era uma suspeita óbvia. Embora não se beneficiasse tanto no testamento com a morte do marido, ela, aparentemente, estava envolvida com o tutor dos dois netos mais novos, e a demora de Aristides de morrer naturalmente, pode ter sido um motivo. Já os dois filhos, e suas esposas, poderiam ter interesse financeiro, óbvio. Todos viviam na mesma casa e o pai não negava praticamente nada, mas outra coisa era dividir a imensa fortuna do pai. E, aos poucos, vamos conhecendo todos eles e seus conflitos interiores, e suas tantas peculiaridades. Sophia amava o avô e queria muito descobrir a verdade, tornando-se a suspeita menos óbvia. Josephine era uma criança inquietante, vivia escutando atrás das portas e queria ser uma detetive "de verdade". Afirmava já saber tudo e Charlie estava preocupado com a segurança da criança bisbilhoteira.
E nesse livro o final realmente é uma surpresa. Não sei se algum leitor matou a charada, mas pela primeira vez a autora escolheu esta solução para um crime, uma solução ousada, perturbadora e extremamente memorável, principalmente à época em que se passa a história. [ALERTA DE SPOILERS] No início achei que podia ser Brenda, embora fosse muito óbvio, mas logo fica claro que era alguém da família. Em um momento Josephine sofre um atentado e todas as suspeitas mudam, afinal, quem deles mataria uma criança que poderia saber demais? Eu passei o livro todo achando que era Clemency, ela tinha frieza para tal e só se interessava pela felicidade do marido. Roger tinha quebrado a empresa do pai e eles só queriam ir embora e viver longe de tudo aquilo. Mas no dia da morte, o pai promete pagar todas as dívidas da empresa, ou seja, ele continuaria preso àquela casa e à família. E no final!! Pasmem, a assassina era a própria Josephine, a criança. Ela queria provar um ponto, cometer o assassinato perfeito, e o avô não tinha deixado ela fazer balé hehehe, simples assim. Charles dá umas bobeiras no final e não impede que Edith saia da casa com a criança. Ela tinha matado o avô, forjado o próprio atentado contra si mesma e envenenado a pobre da governanta. A Tia Edith descobre tudo ao encontrar um caderno dela, e sai com a criança para "tomar um sorvete". A própria tia sofria de uma doença sem cura, então joga o carro em uma ribanceira, acabando com tudo e evitando que a sobrinha neta sofresse as consequências por seus atos. Foi uma mini psicopata a menos no mundo rs, e Charlie e Sophia puderam se casar em paz. [FIM DOS SPOILERS]
Eu amei o final e o livro todo é muito bem escrito. Leiam!
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Avaliação (1 a 5):






