Branco Letal - Robert Galbraith

>>  segunda-feira, 27 de janeiro de 2020


GALBRAITH, Robert. Branco Letal. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2019. 656p. (Cormoran Strike, v.4). Título original: Lethal White.

“- Bom, foi bom enquanto durou, não foi? – Disse Strike, com um sorriso triste, indo para o hall. – Ficar fora dos jornais? ” p. 283

Não importa muito o que ela decide fazer, J. K. Rowling arrasa! Eu estou amando a sua série policial, escrita sobre o pseudônimo de Robert Galbraith, Cormoran Strike. A série é de investigação mais clássica, no método dedutivo de Sherlock Holmes e eu amo esse estilo! A maioria das séries policiais atuais são parecidas com C.S.I e eu gosto da diferença. Enfim, sem mais delongas, conto para vocês o que achei do quarto volume com Branco Letal.

Nos livros anteriores conhecemos Cormoran Strike, um homem que sofreu sequelas físicas e psicológicas enquanto prestava serviço militar e após se desligar do exército, abriu um escritório de investigação. Sua carreira de detetive particular e sua vida pessoal não começaram nada bem: endividado, chutado pela ex-noiva, morando no escritório. Depois de algum tempo, ele e sua fiel ajudante, Robin Ellacott estavam superando as dificuldades. O noivo da moça odeia seu trabalho e todos criticam sua escolha de carreira. Robin ama o que faz e, juntos, eles buscam resolver mais uma investigação.

A partir daqui contém spoilers sobre os volumes anteriores, apenas sobre a vida pessoal dos protagonistas.

Cormoran Strike, 37 anos, finalmente teve algum lucro real com seu escritório de investigação. Depois de resolver seu último caso que ficou famoso, não lhe falta clientes. Ele está namorando com Lorelai há dez meses, mas ainda pensa nisso como algo casual, ele tem pavor de compromisso depois de tudo o que aconteceu com Charlotte. Ele chamou Robin Ellacott, 27, de volta para o trabalho e a promoveu a sócia. Eles também conseguiram contratar mais alguns investigadores. A agência anda de vento em polpa, com muitos clientes, os dois se matam de trabalhar. E a perna ausente de Strike, cobra seu preço com as andanças diárias.

Robin se casou com Matthew Cunliffe apesar de todas as suas dúvidas, e meses depois, não sabe se tomou a decisão certa. Além disso, precisa lidar com as crises de pânico que vem tendo após o ataque que sofreu no ano anterior (ver Vocação para o mal).  Os dois vivem em pé de guerra, ela faz de tudo para evitar os confrontos diários. Tudo em relação ao seu trabalho é um problema para o marido, que não suporta Cormoran e a relação próxima entre os dois.

Strike e Robin lidam com a situação constrangedora entre eles, afinal, será que eles são mesmo só amigos? Ou existe algum outro tipo de sentimento que os dois insistem em negar?

O novo caso dos dois, surge de forma incomum. Billy, um jovem com problemas mentais graves, procura Strike na agência e afirma ter visto, na infância, um menino ser estrangulado em um cavalo. Com informações confusas e pouco confiáveis, ele foge quando percebe que a secretária chamou a polícia. Sem conseguir esquecer a história, Strike começa a investigar e chega ao irmão do rapaz, Jimmy Knight, um militante de esquerda com ares pouco confiáveis. Ao mesmo tempo, um ministro importante, Jasper Chiswell, contrata Strike para investigar alguém que o está chantageando. Ele quer provas contra os inimigos e quer que Strike acompanhe os movimentos do mesmo Jimmy, irmão de Billy. Além disso ele acha que Geraint Winn e Della Winn, ministra dos esportes, estão envolvidos.

Começa então uma difícil investigação que envolve duas famílias importantes e muita coisa não dita. Eles não sabem o motivo da chantagem, não sabem nada do que realmente aconteceu. Quando alguém é encontrado morto, o caso toma novas proporções.

“Ele era o marido dela. Ela havia prometido tentar. Cansada, furiosa, sentindo-se culpada e infeliz, Robin teve a impressão de que esperavam pelo acontecimento definitivo, algo que libertaria os dois com honra, sem outras brigas podres, com racionalidade. Mais uma vez, seus pensamentos voltaram ao dia do casamento, quando ela descobriu que Matthew tinha apagado as mensagens de Strike. De todo coração ela se arrependeu de não ter ido embora naquele dia, antes que ele pudesse se arranhar no coral, antes que ela fosse aprisionada, como agora via, pela covardia disfarçada de compaixão. ” p. 236

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Os livros da série mudam muito entre um e outro. Esse é o mais lento até agora, tem uma abordagem mais psicológica e foca muito na construção de todos os personagens, na ambientação, e na política inglesa. Vi algumas reclamações nas resenhas, mas eu não desgostei da lentidão inicial, gosto muito da abordagem mais dedutiva da série, achei lento sim, mas não a ponto de ficar chato ou não me prender. Mas só para vocês terem ideia, a morte acontece em 43% do livro, e só aí ele toma ares de thriller com o “quem matou” instigando a investigação e o leitor.  Então para quem curte thirllers eletrizantes, com seriais killers, muita ação e sangue, esse não é para vocês. Já para quem curte esse estilo, se joga que temos mais uma leitura imperdível!

Amei Strike e Robin e tudo que acontecia em torno deles. Torci muito por Robin, para que ela se separasse logo do escroto do Matthew (não suporto desde o primeiro livro) e conquistasse sua independência. Torci para que Strike terminasse logo com a Lorelai e fosse mais aberto aos relacionamentos e a felicidade. Achei fofo a parte onde ele se aproxima do sobrinho e da família da irmã. Eu sinceramente, por enquanto, não torço para os dois juntos como casal. Gosto muito da amizade deles, mas acho que Robin merece alguém menos complicado rsrs. Sem dinheiro, com a saúde toda ferrada, fumando e comendo errado sem parar, com aquela perna inflamada que ele não cuida, me dá um nervoso!! E é muito engraçado que tem sempre mulher correndo atrás dele, WTF rs!

Sobre o enredo, durante toda a introdução mais lenta, acompanhamos de perto da vida dos protagonistas e de vários coadjuvantes, inclusive as pessoas que estão sendo seguidas e investigadas ao longo do caso. Robin vai trabalhar disfarçada, torci e temi por ela o livro todo. Não sabemos ainda nada do que realmente vai acontecer, o caso todo é um mistério, e eu buscava o tempo todo uma explicação para o título. Depois que alguém morre, e Strike começa a investigar toda a família (todos malucos e pouco confiáveis) e outras pessoas ao redor, começa o mistério do “quem matou” que todo mundo ama. Essa parte foi ótima! Foi bem Agatha Christie que você não faz ideia de quem foi, desconfia de várias pessoas ao longo do caminho e detetive fica tipo: ah eu já matei a charada, pense que você vai ligar os pontos também! E eu fazendo várias teorias.

No final acertei duas coisas, quem matou e o motivo do crime. Fiquei procurando alguém capaz de planejar tudo isso, porque tinha alguns suspeitos que mão conseguiriam amarrar os cadarços direito, quiçá bolar um crime (quase) perfeito. Mas errei a ligação importante com outra pessoa e que não poderia ser uma só fazendo tudo aquilo e tal, dei bobeira demais hahaha. Adorei que no final a autora voltou ao Billy e tudo do início, achei que iam esquecer o coitado no churrasco. Falando em esquecimento, uma secretária nova, Denise, aparece no início do livro e depois nunca mais é citada.

Eu amei o final! Muito bem desenvolvido, os desdobramentos e principalmente os personagens. Termina tudo muito amarradinho, com epílogo e tudo, aleluia! Nada de final corrido, a vantagem de livros enormes rs. Essa série foge da ficção policial padrão desde o início, ela é mais linear, não é tão sanguinolenta e segue no estilo Sherlock Holmes de investigação, baseado na dedução. Amei esse volume, ele e o segundo, O bicho-da-seda, são meus favoritos da série até agora. E mais uma vez termina comigo desejando muito o próximo livro.

Para quem gosta de um velho e bom livro de detetive, essa série é imperdível!! Leiam!!

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Série Cormoran Strike do Robert Galbraith
  1. O chamado do Cuco (The Cuckoo’s calling)
  2. O bicho-da-seda (The silkworm).
  3. Vocação para o mal (Career of evil)
  4. Branco letal (Lethal white).
Avaliação (1 a 5):

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